terça-feira, 7 de julho de 2015

Azul - MLXVIII



Sardinha
(Sardina pilchardus)


http://www.ipma.pt/pt/pescas/recursos/sardinha/index.jsp

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Espera - II


   - Venha ter comigo, Se tem o meu número de telefone, tem, com certeza, a minha morada. Não sei quem foi o inconsciente que lhos forneceu. Se por acaso não estiver em casa, encontrar-me-á ao fundo da rua, numa pizaria chamada Tintoretto. Ou ao lado, na brasserie Vivat.
     - A que horas?
   - A qualquer hora. Estou sempre num destes três lugares, são a minha maneira de manifestar-me trino e uno, só que em vez de ser ao mesmo tempo, sou mais metódico do que Deus: nunca estou em mais do que um lugar ao mesmo tempo. Não é tão prático para ter reuniões, mas permite-me estar mais concentrado. Deus dispersa-se muito.
   - A qualquer hora, portanto?
   - A qualquer hora.
   - Irei amanhã logo que acorde.
   - Faça isso. Eu estarei à sua espera. É essa a minha vocação.


Afonso Cruz
A Boneca de Kokoschka, Quetzal, 2010

Preto e Branco - LXXXVI


     Ela ia sempre acompanhá-lo à despedida até ao primeiro degrau da escada do patamar. Enquanto esperava que lhe trouxessem o cavalo, ela ficava ali. Já se tinham despedido, não diziam mais nada um ao outro; o ar livre rodeava-a, levantando-lhe e misturando-lhe os cabelinhos soltos na nuca, ou sacudindo-lhe sobre a anca as fitas do avental que se enroscavam como bandeirolas. Uma vez, na altura do degelo, a casca das árvores ressumava sobre o pátio, a neve nos telhados das dependências derretia-se. Ela estava no patamar; foi buscar a sombrinha, abriu-a. A sombrinha, de seda cor de ardósia, deixava passar o sol que lhe iluminava com reflexos móveis a pele branca do rosto.
     Ela sorria debaixo do abrigo ao calor morno; e ouviam-se as gotas de água, uma a uma, cair sobre o chamalote retesado.


Gustave Flaubert
Madame Bovary, Civilização Editora, 2012 (trad.: Daniel Augusto Gonçalves)
(1856)

Espera - I


ESPERA


Mergulha
no espírito
do mar
por saber
que encontrar.


A.Oliveira
Lugares de Rio

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Branco - MLXV



Pelicano Branco

(Pelecanus onocrotalus)


http://chantelles.travellerspoint.com/34/




domingo, 28 de junho de 2015

Amor - LII



Brigada Victor Jara
Donde Vas
(1995)


DONDE VAS
(Trás-os-Montes)


Donde vas, donde vas Adelaida
Donde vas, donde vas por ahi
Voy en busca de mi amante Enrique
Que se ha vuelto loco
De penas por mim

Es la una y Enrique no vienne
Son las dos y Enrique no está
Yo no creo que Enrique me deje
Teniendo la ropa para nos casar

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Azul - MLXVII



Brigada Victor Jara
Bento Airoso
(2000)


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Arco-Íris


RETRATO DE RIMBAUD



Pois comigo na cama é que eu te queria
morder-te os sons visíveis e perversos
e enforcado nos cornos da poesia
esfregar-me nas imagens e nos versos.

Pois comigo na cama é que eu te queria
arco-íris de letras flor de gritos
dançando até ao espasmo da alegria
o apaixonado baile dos malditos.

Pois comigo na cama é que eu te queria
iluminado pelo cio aberto
da bala que se vê não se vigia
parece longe e entanto está tão perto.




José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias, Livraria Quadrante, 1970

Amarelo - LIX



Philip Glass
Einstein On the Beach - Knee 5
(1979)



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Azul - MLXVI


PHOTO: ASSOCIATED PRESS
http://www.wsj.com/articles/the-dress-a-black-and-blue-debate-over-the-color-of-a-dress-stirs-social-media-1425063162



(...) Acontece que é o nosso cérebro - e não os nossos olhos - que constrói a nossa percepção das cores do mundo que nos rodeia - isto é, a nossa experiência subjectiva das cores. (...) E o nosso cérebro, com base na luminosidade ambiente e nos comprimentos de onda da luz reflectida pelos objectos (que definem a sua cor intrínseca), "deduz" as cores daquilo que vemos. (...)


Ana Gerschenfeld
Público, 15/5/15



Azul - MLVII



Odeith


http://www.tabonito.pt/o-artista-portugues-que-faz-o-graffiti-saltar-do-muro

Cristina Branco



Cristina Branco
Embalo

Brigada Victor Jara
Ceia Louca
(2006)

terça-feira, 26 de maio de 2015

Amarelo - LVIII


O DOIRO



     Começa em Mirandela e acaba na Foz, este Calvário. Começa em pedra e água, e acaba em pedra e água. Como nos pesadelos, não há nenhum intervalo para descansar. Entra-se e sai-se do transe em plena angústia.
      No Portugal telúrico e fluvial não conheço outro drama assim, feito de carne e sangue. Drama cruciante e ciclópico, que é o embate de duas forças brutas no primeiro acto, um corpo-a-corpo de vida ou de morte no segundo, e uma espécie de triunfo da fatalidade no terceiro, com o pano do mar a cair. (...)



Miguel Torga
Portugal
(1950)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Branco - MLXIV


O pássaro que se apaga




É durante o dia que ele aparece, no dia mais branco.
Pássaro.

Bate as asas, voa.
Bate as asas, apaga-se.

Bate as asas, ressurge.

Pousa. E depois desaparece. Com um bater de asas
apagou-se no espaço branco.

É assim que se comporta o meu pássaro familiar,
o pássaro que vem povoar o céu
do meu pequeno pátio. Povoar?
Bem se vê de que maneira...

Mas permaneço quieto, a contemplá-lo,
fascinado pela sua aparição,
fascinado pela sua desaparição.



Henri Michaux
Antologia, Relógio D'Água, 1999 
(trad. Margarida Vale de Gato)


sábado, 2 de maio de 2015

Paula Oliveira



Paula Oliveira (voz)
Just in Time

António José Veloso (piano)
Manuel Jorge Veloso (bateria)
Bernardo "Binau" Moreira (contrabaixo)

(2014)