domingo, 1 de maio de 2016

Vermelho - LXXXVIII

Nenhum dia, nem o que lhes está reservado com nome próprio, é mais Dia da Mulher do que o dia em que coincide o Dia da Mãe com o Dia do Trabalhador. E isso acontece sempre que o primeiro domingo de Maio calha no dia 1. 
(...)
Este dia que já foi da minha mãe e que é agora da minha mulher, que é mãe a 100% e profissional a 100%, é como sempre foi o Dia de todas as mães trabalhadoras. Das poucas que conseguem vencer nos dois lados e da larga maioria a quem não são dadas hipóteses de o fazer. Não deixo de me questionar: por onde andava o mundo sem a energia destas mulheres? Sem a sua humildade, a sua inteligência, a sua perseverança?



Paulo Baldaia




http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/paulo-baldaia/interior/hoje-e-o-dia-da-mae-trabalhadora-5152295.html




domingo, 10 de abril de 2016

Verde - XLVIII


HELP


http://economico.sapo.pt/noticias/escreveram-pedido-de-ajuda-na-areia-e-foram-salvos-de-ilha-deserta_246850.html


quinta-feira, 24 de março de 2016

Preto e Branco - XLIV



Christer Strömholm
Marinheiro com Leite
(1959)

http://www.marvelligallery.com/StromholmCatalogue30.html





(...) "O Fotografiska não é um museu vulgar", avisa a página da casa que acolhe a fotografia com vénia e veludo em Estocolmo. Não é vulgar, nem expectável. Com quem quer que se fale sobre a capital sueca, há um momento em que a conversa é tomada pelo silêncio. Logo se inspira e vem o suspiro: "Ah! O Fotografiska!" Entrar neste lugar de olhos postos no lago é um mergulho no silêncio de dezenas de imagens falantes. Param por aqui grandes nomes da película internacional e da magia sueca, como Christer Strömholm, o artista que não percebia nada de câmaras mas que desenhava com elas as sombras densas do mundo e dos homens. (Quarto apontamento: "No Inverno, Estocolmo é a preto e branco.")
(...)



Rute Barbedo
Público, 19/03/2016




segunda-feira, 21 de março de 2016

Cores


DE PASSAREM AVES (II)


De como e de quando
as aves passaram
tão leves aflando,
as sombras pousando
no ar que cortaram,

falei, mas não sei
que melancolia
sentida no dia
por tarde eu lembrei
na tarde que havia.

As aves passaram
e delas falei.
Do ar que cortaram
as sombras ficaram,
mas onde, não sei.





Jorge de Sena
(18/2/1956)
Fidelidade, 1958 - Poesia II, Edições 70, Lisboa, 1988

quinta-feira, 10 de março de 2016

Cores



Edvard Munch
O Grito
(1893)


http://abcplanet.com/where-is-the-scream-by-edvard-munch




(...) Uma das pinturas expressionistas mais icónicas é "O Grito", de Edvard Munch. O quadro foi mostrado pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, que não por acaso, se intitulava "Estudo para uma série chamada Amor". De facto, só entenderemos o grito em articulação com a necessidade de amor que nos habita até ao fim. No seu diário, Munch descreve a situação que terá desencadeado aquela imagem: "Passeava com dois amigos ao pôr do sol - o céu tornou-se de súbito vermelho-sangue - eu parei, exausto, e debrucei-me sobre a muralha - havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e a cidade - os meus amigos continuaram o passeio, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade - e ouvi o grito infinito atravessar a Natureza. Pintei então este quadro. Pintei as nuvens com sangue verdadeiro. As cores gritavam. (...)



José Tolentino Mendonça
Expresso, 13/02/16



terça-feira, 8 de março de 2016

Vermelho - LXXXVII


CONTRAPONTO



Vestido negro,
cinto vermelho.
Luto precoce
da tua carne.

Nele se enlaça
o meu desejo.
Vestido negro?
Cinto vermelho!





David Mourão-Ferreira
A Secreta Viagem
(1948-1950)


Obra Poética
1948-1988
Ed. Presença, Lisboa, 1988

Azul - MLXXVIII




Youkali
Kurt Weil (música)
Roger Fernay (letra)
(1935)


Raquel Camarinha (voz)
Yoan Héreau (piano)
(2014)



C’est presque au bout du monde
Ma barque vagabonde
Errante au gré de l’onde
M’y conduisit un jour
L’île est toute petite
Mais la fée qui l’habite
Gentiment nous invite
A en faire le tour

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali

Et la vie nous entraîne
Lassante, quotidienne
Mais la pauvre âme humaine
Cherchant partout l’oubli
A pour quitter la terre
Su trouver le mystère
Où nos rêves se terrent
En quelques Youkali....

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali, c’est Youkali, c’est Youkali.

http://www.wukali.com/youkali-paroles-de-la-chanson-composee-par-kurt-weill#.Vt6m2n2LRXQ


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Amor - LXIII


The Smiths
Rubber Ring
(1985)


(...)
10. Quem serias se não tivesse existido uma banda chamada The Smiths?

Provavelmente, um gajo mais infeliz. Seguramente, um gajo diferente. "I don't forget the songs that made me cry and the songs that saved my life", adaptando a Rubber Ring. Os Smiths tocam na banda sonora da minha vida.



Pedro Marques Lopes
Expresso, 28/11/2015




domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cores


(...)
Do alto da encosta, quando se descobre o panorama do vale, o que mais salta à vista é a chateza absoluta dessa linha de horizonte: um soco puído, um bloco aplainado onde se enterra o enclave fechado e recortado do vale, com as curtas ravinas afluentes, dispostas como as nervuras de uma folha. A ossatura rochosa aflora a cada instante ao longo das encostas em corcovas gastas, encrustadas do branco baço e amortecido do líquen que é uma das cores obcecantes da Bretanha. Uma vegetação áspera e pouco densa ocupa todos os intervalos: rastos de juncos secos, arbustos rasteiros, de um verde mais escuro, de giestas e tojos que se estendem em placas dartrosas, carvalhos raquíticos, pinhais anões que mergulham em torrentes negras para o fundo da ravina. Nos sítios onde o cume das encostas se une ao planalto, mal a ladeira diminui, matas rasteiras de castanheiros agarram-se por toda a parte, enraizados e hirsutos como os pêlos de uma nuca tosquiada; no Inverno, um emaranhado de bétulas despojadas, de ramiscos muito finos, cobre o fundo da ravina de uma penugem cor de rato, tão ténue que se confunde com a subida da bruma.
(...)


Julien Gracq
Les Eaux Étroites
(1976)

As Águas Estreitas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2006

Cores




Para meu pai, Henri Pastoureau, que sempre gostou do vermelho.



Michel Pastoureau
Dicionário das Cores do Nosso Tempo, Ed. Estampa, 1997

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Azul - MLXXVII



Plus Ultra
Scream#337
(2015)




Não era cor de tempestade
aquele azul
até começar a batida
e o Planeta duvidar
das mais curvilíneas circunstâncias.

Não parecia cor de tempestade
o azul
enquanto as cordas fremiam
despedaçando as vozes
(e o ar).



A.Oliveira, Lugares de Fogo


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Azul - MLXXVI



Guarda-Rios
(Alcedo atthis)



http://www.bbc.co.uk/programmes/p02whr44/p02whql1

http://www.avesdeportugal.info/alcatt.html

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Vermelho - LXXXVI





Maria da Vila Matilde
(Douglas Germano: letra; 
Kiko, Rodrigo, Cabral, Roseno e Kastrup: música)

Elza Soares
(2015)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Amarelo - LXII


Here Comes The Sun
(George Harrison)


Nina Simone
(1971)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Amor - LXII



Foram cardos,  foram prosas
Ricardo Camacho (M) e Miguel Esteves Cardoso (L)
(1981)


Marisa Liz e Amor-Electro
(2013)