segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cores



A rota bordaliana é um projeto da autarquia, que vai colocar peças de grandes dimensões de Bordalo Pinheiro em diversas fachadas e espaços públicos. A nova rotunda junto à estação de comboios é o primeiro ponto da rota, que está a ser ultimada, e ao longo da qual irão ser colocadas cerca de 20 figuras cerâmicas gigantes de Rafael Bordalo Pinheiro. 

http://jornaldascaldas.com




 Grandes… muito grandes! É imediatamente a palavra que ocorre quando se olha para as figuras de cerâmica que irão integrar a Rota Bordaliana.


http://www.tintafresca.net/News



Figuras construídas “à escala humana, de 1,80 metros de comprimento”, como o conhecido Zé Povinho, a Saloia, o Padre Cura ou os gatos” vão estar, em 2015, espalhadas por diversas ruas da cidade, disse o presidente da Câmara durante a inauguração da rotunda. 


http://oesteglobal.com






domingo, 26 de outubro de 2014

Preto e Branco - LXXVIII


Helena Almeida
(Maridajes, 2014)


(...) La exposición "En Femenino", nos enseña como varios fotógrafos han acudido de manera recurrente, ya sea por placer o por profesión, a mostrarnos el universo femenino en sus fotografías. (...)

Así mismo, el recorrido nos acerca instantáneas robadas de mujeres que deambulan por museos (Gabriel Cualladó y Rafael Sanz Lobato), el gesto fugaz de una mujer al entrar en un coche (Xavier Miserachs), las esperas en el entreacto del teatro o en el descanso del trabajo (Oriol Maspons y Paco Gómez), los abrazos furtivos (Ramón Masats y António Julio Duarte), así como retratos que nos sugieren mundos poéticos (Helena Almeida), junto a mujeres fascinantes que posan conscientes (Humberto Rivas y Nicolás Muller) o ausentes (Javier Vallhonrat y Joan Colom). El resultado es una enriquecedora constelación de fascinantes historias sobre la mujer.



http://roda.es/prensa/noticias/noticia-ampliada/resultados



António Júlio Duarte
(Maridajes, 2014)

domingo, 19 de outubro de 2014

Vermelho - LXXIV

     Na rua, a esta hora, ele passeia-se com certeza para cá e para lá, como uma bola presa por um elástico ao tronco do candeeiro - a sombra oblíqua para um lado e a volta, o caminho reconhecido, para cá, obstinado. Dir-lhe-ei: mas hoje não, saio sozinha comigo, com o meu vestido e os meus pingentes, ficarei livre de sorrir a perguntar: e tu, queres sopa?
     Um vestido vermelho. E pintar a cara, ver-me ao espelho com desproporcionados olhos de formiga, serei um desenho animado. Brincos que tilintem quando eu disser que  decididamente não. O restolhar e o tilintar, ruídos das fantasias do corpo. (...)



Luísa Costa Gomes
13 Contos de Sobressalto (Os Dois Relógios), Livraria Bertrand, 1982.

domingo, 12 de outubro de 2014

Branco - MXLIV


Afirma Pereira que tinha pensado escrever um pequeno artigo para a rubrica Efemérides dedicado a Rilke, que tinha morrido em vinte e seis, e portanto fazia doze anos que tinha desaparecido. E depois tinha-se posto a traduzir um conto de Balzac. Tinha escolhido Honorine, que era um conto sobre o arrependimento e que seria publicado em três ou quatro episódios. Pereira não sabe porquê, mas pensava que aquele conto sobre o arrependimento seria como uma mensagem numa garrafa que alguém poderia recolher. Porque havia muito de que nos arrependermos, e um conto sobre o arrependimento vinha a propósito, e este era o único meio para transmitir uma mensagem a alguém que a quisesse ouvir.


António Tabucchi
Afirma Pereira
(1994)
Publicações D. Quixote, 2000

Vermelho - LXXIII





Priscila Fernandes

The Book of Aesthetic Education of the Modern School

(2014)


http://priscilafernandes.net/modernschool/

http://www.fundaciomiro-bcn.org/

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Cores




As Ilhas Desconhecidas são notas tiradas na viagem aos Açores e à Madeira, de 8 de Junho a 29 de Agosto de 1924, com a habitual espontaneidade do escritor que regista as suas primeiras impressões. Pode dizer-se sem exagero que este livro potencia e afina as qualidades de Brandão paisagista, porque, se n' Os Pescadores são notáveis e sui generis as notas sobre a luz e os seus infinitos cambiantes, a linguagem e a adjectivação da cor neste livro atingem uma originalidade definitivamente marcante. O Brandão d'Os Pescadores é o Brandão da luz; o Brandão d'As Ilhas Desconhecidas é o da cor. Se naquela obra os termos referentes à luz (e seus cambiantes) são mais frequentes, nesta, os termos respeitantes à cor (e seus cambiantes) são muito mais frequentes. O seu livro é, pois, um poema à luz e principalmente às cores insulares. 


http://www.culturacores.azores.gov.pt

Cores


http://thecalibraria.blogspot.pt


Raul Brandão visitou os Açores no verão de 1924, no âmbito das visitas dos intelectuais então organizadas sob a égide dos autonomistas. Dessa viagem resultou a publicação da obras As ilhas desconhecidas - Notas e paisagens (Lisboa, 1926), uma das obras que mais influíram na formação da imagem interna e externa dos Açores. Basta dizer que é em As ilhas desconhecidas que se inspira o conhecido código de cores das ilhas açorianas: Terceira, ilha lilás; Pico, ilha negra; S. Miguel, ilha verde...



http://pt.wikipedia.org

Branco - MXLIII



                                             Cometa 67P / C-G

No dia 6 de agosto deu-se um primeiro passo de gigante no conhecimento sobre a formação do Sistema Solar: a sonda Rosetta chegou a 100 km do cometa 67P / C-G, marcando o começo da órbitaem torno do cometa e o mapeamento da sua superfície, com uma precisão incomparável. A Rosetta continuará a aproximar-se até uma distância mínima de 2.5 km do núcleo do cometa, preparando o envio do módulo Philae para a sua superfície, a 11 de Novembro.

Qual a importância da Missão Rosetta?

Pela primeira vez “orbitaremos” um cometa e acompanharemos a sua aproximação ao Sol, permitindo compreender as alterações da superfície do cometa e a sua atividade. Pela primeira vez temos um encontro marcado com um cometa e acoplaremos um módulo, Philae, na sua superfície, podendo colocar as “mãos na massa” explorando a sua composição química e a complexidade das moléculas que os constituem.

Qual a origem do nome da Missão Rosetta ?

A Pedra da Rosetta, descoberta em 1799, permitiu a compreensão dos hieróglifos egípcios, e Philae é o nome de uma ilha no rio Nilo onde se descobriu um obelisco que contribuiu para decifrar os hieróglifos de Rosetta.
Assim designou-se esta missão como Rosetta esperando que ajude a revelar e a compreender os mistérios do Sistema Solar.

http://www.cienciaviva.pt/esero/noticias/?accao=shownot&id_n=105

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vermelho - LXXII



Lisboa 
Semáforos dançantes
(2014)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Preto e Branco - LXXVII



José Mário Branco
As contas de Deus
(2004)

sábado, 6 de setembro de 2014

Amor - XLVI






Caribaci
Amor
(a partir de um vídeo de Vhils (Alexandre Farto) - Exposição Dissection 
Museu da Electricidade - Lisboa)
(2014)

Branco - MXLII

Coimbra, 20 de Fevereiro de 1969 - Que insondável mistério é um ser humano! Quanto mais vivo e convivo - a observar homens sãos e doentes -, mais se arreiga no meu espírito a convicção de que nunca consegui conhecer verdadeiramente nenhum. O que dizemos e o que fazemos pouco ou nada revelam de nós. Por mim falo. Converso, escrevo páginas maciças de confissão, actuo, pareço transparente. E quem um dia quiser saber o que fui, terá de me adivinhar...



Miguel Torga
Diário XI, 2ª ed. revista, Coimbra, 1991

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Artur Mendes



Alexander Glazunov
Concerto em Mib para Saxofone e Orquestra op. 109
(1934)


Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Hakan Sensoy (dir.)
Artur Mendes (saxofone)
(2014)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Branco - MXLI


A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país.
É esse o nosso problema.



Howard Zinn
Disobedience and Democracy: Nine Falacies on Law and Order"
(1968)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Amor - XLV


Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento.
Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.


Fernando Pessoa
O Livro do Desassossego

http://arquivopessoa.net/textos/4209