quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Artemisia Gentileschi



Artemisia Gentileschi

Auto-Retrato

(1638-1639)

http://artemisiainc.com/blogs/artemisia-blog/11307413-meet-artemisia





(...)"A pintura mostra a artista envolvida na revelação da realidade, que é inerente ao acto de pintar, mas não exibe a consciência de si mesma da autora, contrariamente ao que costuma suceder neste género de representações. Não olha para nós, não se mostra de frente. Pelo contrário, o seu corpo traça um arco de tensão e vontade apontado ao objecto que quer pintar e que não vemos porque está mergulhado na luz emitida pela realidade, ou seja, emitida de fora do quadro. A mão e o pincel estão ainda imóveis. Os lábios entreabertos. Os olhos atentos. Não há na imagem convencionalidade, mas tão-pouco sedução ou falsa modéstia. É uma imagem de uma mulher que trabalha, e é precisamente disso que resulta, como uma espécie de transpiração do espírito, a graça das linhas curvas do corpo, da lisura branca da pele, da desordem matinal do penteado. " (...)



Paulo Varela Gomes
Um Tractor Cor-de-Rosa 
Jornal Expresso, 8/9/2013


Branco - XCI



O segredo da sobrevivência é uma imaginação defeituosa. A incapacidade dos mortais para imaginar as coisas como elas realmente são é o que lhes permite viver, uma vez que um vislumbre momentâneo, incontido, da totalidade do sofrimento do mundo os aniquilaria imediatamente, como uma lufada da mais letal emanação de canos de esgoto.



John Banville
Os Infinitos (2009), ASA, 2011

Eugene Atget



Eugène Atget

At Quai du Pont Neuf, Paris

 (1908)

© BnF, Département des Estampes et de la photographie





http://www.photography-now.com/exhibition/52535

Vermelho - XC

(...)

No milénio que vem vai ser um fardo
conseguir encontrar a minha campa,
mas estarei pertinho de Appleyard,
das latas d'HARP, ou doutra nova tampa.

Procurai Byron, Wordsworth, ou virai
à esquerda entre Richardson e Broadbent.
Trazei uma solução e esfregai
qualquer novo palavrão aí presente.

Se amor à arte, ou amor, enxovalho
causar algum grafito a quem o lê,
apagai talvez FODA-SE e CARALHO
mas deixai, c'UNITED, um pequeno v.

Vitória? P'las forças lentas que a seu turno
escavam p'la alma os veios do corpo.
Sairá a Terra do "orbe diurno"
antes de o carvão se criar de novo?

Escolhei um dia como o que eu escolhi
em Maio, quando macieira e espinheiro
agarram a flor e não dão de si,
mesmo que os putos chutem o dia inteiro.

Se, chegado aqui, quem os tenha lido
quer entender os versos que deixei,
defronte à campa, de costas pra Leeds,
leia o epitáfio que eu planeei:

Aqui jaz o poeta, em baixo um poço.
Adepto/a da poesia, se aqui estás
pra ver poemas nascer da MERDA (foge!):
procura a carne, a cerveja, o pão, e olha pra trás.



Tony Harrison
V.,1985 - Antígona, 1999 - Tradução de Manuel Portela

Branco - CLXXVII


COMUTADOR


                                      Para o Pedro Oom




Ergo-me de ii no zimbório
de folhas na penedia do castelo medieval
de limos na humidade da praia
de cristais entre os rochedos do Cabo Horn


Caminho de gelo na floresta
de sôfrego na vastidão do deserto
de louco na brancura do hospício


EU abismo, eu cratera
inclinei-me e vi um espectáculo caprichoso: uma unha branca
uma unha branca a viver assim despreocupada


OGIVA-BORBOLETA
Arco-de-Cor caído muito triste
Casulo de quem ninguém falou
Teia de Aranha exposta à loucura e ao tempo
Andorinha-Azul de chapéu mole e baratas na cama
VENTOINHA.



António Maria Lisboa
Ossóptico e Outros Poemas (1952), in: Poesia, Assírio & Alvim, 2008


Cores




Coldplay - The Scientist

(2002)


Contraponto

(2014)



Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
Tell you I set you apart

Tell me your secrets and ask me your questions
Oh, let's go back to the start
Running in circles, coming up tails
Heads on a science apart

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh, take me back to the start

I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Do not speak as loud as my heart

Tell me you love me, come back and haunt me
Oh, and I rush to the start
Running in circles, chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh, it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start



https://www.letras.mus.br/coldplay/64278/

Amor - LXIV


AMOR: -



Quando te procurei em rotas de seda e ouro, eu não sabia que o amor é uma espera de mágoa e mel. Nem suspeitava que há nos corpos nus a enchente das marés que altera a tempestade. E desconhecia que é preciso empunhar o leme para que as águas inundem desesperadamente as margens.



Graça Pires
Caderno de Significados, Lua de Marfim, 2013

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cores



Bob Dylan e Joan Baez
(1982)


Blowin' in the Wind
Bob Dylan
(1963)


How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yes, and how many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, and how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yes, and





quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Branco - CLXXVI



Por entre a verdura
uma flor branca floresce -
não lhe sei o nome.



SHIKI (1869-1902)

Bashô, Buson, Issa, Shiki, Imagens Orientais

(versão portuguesa: Luísa Freire)

Assírio & Alvim, 2003


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Preto e Branco - XLVI



Com três cores,
azul, vermelho e amarelo,
fabricas as restantes.
O preto não o fabricas -
é.
Tal como o branco.



Giánnis Ritsos, Papéis, 1974

(in: Antologia, Fora do Texto, Coimbra, 1993 - tradução de Custódio Magueijo)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Azul - CLXXX



Canal de Corinto



http://www.fotocommunity.es/photo/corinto-canal-cence/22464778#


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Cores



MUSAC - Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão



http://leon.portaldetuciudad.com/es-es/informacion/musac-014_239_3_1253.html

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Branco - CLXXV


(...)
Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.
(...)
Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.


José Tolentino Mendonça
Expresso, 13/06/2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Preto e Branco - XLV



Lou Reed
There is no Time
(1989)

This is no time for Celebration
this is no time for Shaking Heads
This is no time for Backslapping
this is no time for Marching Bands

This is no time for Optimism
this is no time for Endless Thought
This is no time for my country Right or Wrong
remember what that brought

There is no time
there is no time
There is no time
there is no time

This is no time for Congratulations
this is no time to Turn Your Back
This is no time for Circumlocution
this is no time for Learned Speech

This is no time to Count Your Blessings
this is no time for Private Gain
This is no time to Put Up or Shut Up
it won't no time to come back this way again

There is no time
there is no time
There is no time
there is no time

This is no time to Swallow Anger
this is no time to Ignore Hate
This is no time to be Acting Frivolous
because the time is getting late

This is no time for Private Vendettas
this is no time to not know who you are
Self knowledge is a dangerous thing
the freedom of who you are

This is no time to Ignore Warnings
this is no time to Clear the Plate
Let's not be sorry after the fact
and let the past become out fate

There is no time
there is no time
There is no time
there is no time

This is no time to turn away and drink
or smoke some vials of crack
This is a time to gather force
and take dead aim and Attack

This is no time for Celebration
this is no time for Saluting Flags
This is no time for Inner Searchings
the future is at head

This is no time for Phony Rhetoric
this is no time for Political Speech
This is a time for Action
because the future's Within Reach

This is the time
this is the time
This is the time
because there is no time

There is no time
there is no time
There is no time
there is no time

Lou Reed


Preto - XLI



J. S. Bach
Cantata do Café - BWV 211
(1732-1734)


Coro e Orquestra Barroca de Amesterdão
Cravo e Maestro - Ton Koopman
Soprano - Anne Grimm
Tenor - Lothar Odinius
Baixo - Klaus Mertens

(2012)