"Cresce atrás das coisas como incêndio de verdade". (Rilke - trad. MariaT.Furtado)
domingo, 28 de junho de 2015
Amor - LII
Brigada Victor Jara
Donde Vas
(1995)
DONDE VAS
(Trás-os-Montes)
Donde vas, donde vas Adelaida
Donde vas, donde vas por ahi
Voy en busca de mi amante Enrique
Que se ha vuelto loco
De penas por mim
Es la una y Enrique no vienne
Son las dos y Enrique no está
Yo no creo que Enrique me deje
Teniendo la ropa para nos casar
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Arco-Íris
RETRATO DE RIMBAUD
Pois comigo na cama é que eu te queria
morder-te os sons visíveis e perversos
e enforcado nos cornos da poesia
esfregar-me nas imagens e nos versos.
Pois comigo na cama é que eu te queria
arco-íris de letras flor de gritos
dançando até ao espasmo da alegria
o apaixonado baile dos malditos.
Pois comigo na cama é que eu te queria
iluminado pelo cio aberto
da bala que se vê não se vigia
parece longe e entanto está tão perto.
José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias, Livraria Quadrante, 1970
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
Azul - MLXVI
PHOTO: ASSOCIATED PRESS
http://www.wsj.com/articles/the-dress-a-black-and-blue-debate-over-the-color-of-a-dress-stirs-social-media-1425063162
(...) Acontece que é o nosso cérebro - e não os nossos olhos - que constrói a nossa percepção das cores do mundo que nos rodeia - isto é, a nossa experiência subjectiva das cores. (...) E o nosso cérebro, com base na luminosidade ambiente e nos comprimentos de onda da luz reflectida pelos objectos (que definem a sua cor intrínseca), "deduz" as cores daquilo que vemos. (...)
Ana Gerschenfeld
Público, 15/5/15
Cristina Branco
Cristina Branco
Embalo
Brigada Victor Jara
Ceia Louca
(2006)
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terça-feira, 26 de maio de 2015
Amarelo - LVIII
O DOIRO
Começa em Mirandela e acaba na Foz, este Calvário. Começa em pedra e água, e acaba em pedra e água. Como nos pesadelos, não há nenhum intervalo para descansar. Entra-se e sai-se do transe em plena angústia.
No Portugal telúrico e fluvial não conheço outro drama assim, feito de carne e sangue. Drama cruciante e ciclópico, que é o embate de duas forças brutas no primeiro acto, um corpo-a-corpo de vida ou de morte no segundo, e uma espécie de triunfo da fatalidade no terceiro, com o pano do mar a cair. (...)
Miguel Torga
Portugal
(1950)
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sexta-feira, 8 de maio de 2015
Branco - MLXIV
O pássaro que se apaga
É durante o dia que ele aparece, no dia mais branco.
Pássaro.
Bate as asas, voa.
Bate as asas, apaga-se.
Bate as asas, ressurge.
Pousa. E depois desaparece. Com um bater de asas
apagou-se no espaço branco.
É assim que se comporta o meu pássaro familiar,
o pássaro que vem povoar o céu
do meu pequeno pátio. Povoar?
Bem se vê de que maneira...
Mas permaneço quieto, a contemplá-lo,
fascinado pela sua aparição,
fascinado pela sua desaparição.
Henri Michaux
Antologia, Relógio D'Água, 1999
(trad. Margarida Vale de Gato)
sábado, 2 de maio de 2015
Paula Oliveira
Paula Oliveira (voz)
Just in Time
António José Veloso (piano)
Manuel Jorge Veloso (bateria)
Bernardo "Binau" Moreira (contrabaixo)
(2014)
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terça-feira, 28 de abril de 2015
Azul - MLVI
(...) De madrugada deixei Cárpatos e não olhei para trás. A meu lado uma menina italiana desenhava peixes e ovelhas e barcos. Perguntei-lhe o que mais gostara da ilha e ela disse-me que tinham sido os bigodes dos gatos e uma velha muito pequenina. Perguntei-lhe como se chamava e ela disse-me que era Sara, e às vezes Giulia, ou Cristina, ou Silvia, ou Martina, ou Anna.
Não olhei para trás e tentei adormecer. Não há caminhos para fora de uma ilha, só voltas ao mesmo, ideias circulares rodeadas de azul. Todos os homens deveriam ter uma no meio do mar, onde deixassem os amores que sobram e dias que já não podem ser vividos.
Afinal, que há-de a gente fazer?
Nuno Camarneiro
Expresso, 19/o1/2o13
Gerrit Komrij
Ela dança sobre pregos
Versos magoam, a folha angustia.
Dão guinadas no corpo, infernais.
É o teu mal: leste poemas a mais.
Melhor perderes-te em música obscena,
Melhor deitares-te a ouvir a cantilena
Do fogo consumindo uma pirotecnia,
Melhor rebolares-te em sei lá quê
Do que a dor e o decoro de quem vê
Ir-se a vida na Paixão da Poesia.
Gerrit Komrij
(1977)
Contrabando, uma antologia poética, Assírio & Alvim, 2005
(trad. Fernando Venâncio)
domingo, 19 de abril de 2015
Vermelho - LXXXI
Léo Ferré
Thank you Satan
(1961)
DVD: "Léo Ferré au Théâtre des Champs-Élysées"
(1984)
quarta-feira, 11 de março de 2015
Vermelho - LXXX
Papoilas na Torre de Londres
(instalação progressiva)
Paul Cummins
(2014)
http://www.mirror.co.uk/news/uk-news/tower-london-transformed-red-sea-3988934
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quarta-feira, 4 de março de 2015
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