Com um silêncio mais
enriquecido
voltava a casa
com braços de floresta
amiga
no lugar dos olhos,
acometido p'los sentidos.
A. Oliveira
Lugares de rio
"Cresce atrás das coisas como incêndio de verdade". (Rilke - trad. MariaT.Furtado)
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Arco-Íris
Às vezes, olhava para o mapa do território amazónico, procurava a confluência do rio Yacuambi com o Nagaritza, e com o dedo seguia todas as desembocaduras dos rios cada vez maiores que iam dar ao grande Amazonas. Dos Shuar ficou-me o hábito de reunir os meus ao cair da tarde e falarmos do dia, enfeitando-o, tornando-o melhor.
A vida prosseguiu. Um dia converge para outro. Esse caudal é tudo o que somos.
Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali (2010)
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Amor - VIII
Alfredo Marceneiro (letra de Augusto de Sousa)
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Livros - I
A sociedade fica estranha quando nos aproximamos dos sessenta anos: falo de livros que os outros não leram, e os outros falam de livros que não me interessa ler. Mas há situações de excepção: hoje entrei num alfarrabista - e não direi em que cidade, pois as lojas de livros usados são pátrias especiais e necessárias - sem outra intenção que não fosse olhar e reconhecer capas antigas. Numa cesta de livros "leve três e pague dois" encontrei Cavalaria Vermelha, de Isaac Babel. Quando pagava, a empregada, uma rapariga ao redor dos vinte anos, quis saber se era um bom livro. Creio que em menos de uma hora lhe contei a história da revolução bolchevique, a saga da cavalaria vermelha, e o triste e, aliás, lógico fim de um escritor que se antecipou aos acontecimentos, exercendo o mais genuíno direita da literatura: contar a História, não como foi, mas como devia ter sido.
Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali (2010)
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André Fernandes
Quarteto de André Fernandes, 2007
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Vermelho - XVIII
Todas as vezes que entrava numa sala onde estava gente ele fazia-se vermelho.
Era-lhe normal corar quando alguém mentia. Sentia a mentira à distância e captava-a sem mais nem menos. O sangue dava-lhe tabefes desproporcionados e quase sufocava ao ver uma senhora a dizer quantos anos tinha. A mentira fazia-o sofrer e sentia o sopapar das veias ao vestibular-se nos hotéis dos países mais conhecidos.
Morava no bairro da Estrela.
Ruben A.
Cores (1960)
sábado, 26 de novembro de 2011
Joseph Haydn
Joseph Haydn
Quarteto para cordas, nº 62, Opus 76, nº 3, "Imperador", 2º movimento, 1797
Schostakovich Ensemble
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Branco - XXXVII
Nós aprendemos é de adiante para trás e não de trás para diante.
De trás estamos numa espécie de nevoeiro, sabendo umas coisas, lendo na luz de outras.
Eduardo Lourenço
diário as beiras, 15/10/2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Preto e Branco - IX
Quarteto de Joe Morris (2009)
Não me parece relevante editarmos coisas cujo alcance já acabou. Isso seria editar jazz pelo jazz. Não é o que fazemos. Editamos apenas o jazz de hoje, o jazz contemporâneo. (...)
O jazz de hoje não é a preto e branco nem feito em caves.
Pedro Costa
Atual - Expresso, 12/11/2011
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Preto - XI

SERÃO TRISTES AS OLIVEIRAS?
Aquela senhora que conheci no comboio, olhando pela janela, disse-me a certa altura que a oliveira é uma árvore triste. Olhei também e estive quase a concordar. Agora felicito-me, porque não foi preciso. Lembro-me que a senhora ia vestida de preto. Talvez lhe tivesse morrido alguém. Às oliveiras daquele olival que passava lá fora é que eu tenho a certeza que não faltava nada: nem sol, nem uma leve brisa, nem um fruto grado, prometedor. E perguntei para mim, ao descer do comboio:
- Porque maltratamos as oliveiras?
Ruy Belo
homem de palavras (1969)
terça-feira, 22 de novembro de 2011
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