sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Verde - XIII



Mensagem





Partirei em meu cavalo verde
de olhos cor de infinito
e hei-de procurar por todos os caminhos
a estrela que me pertence


Depois, com raízes na tua existência
meus braços crescendo para o céu


Meu destino de pássaro e árvore





Emanuel Félix
O Vendedor de Bichos 
(1965)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Violeta - VII



    Aqueles dois lampiõezinhos chamavam para a Peña dos Parra, para o palácio da irmandade ao lado de uma guitarra e de um copo de vinho. Nesse tempo não precisávamos de mais para nos amarmos, nada mais nos fazia falta para sermos felizes.
      Nessa casa de paredes de adobe, de aroma chileno, de cor chilena, de calor chileno, vivia o espírito de Violeta, e com ela cantavam Isabel, Ángel, Victor Jara e tantos outros, tão grande e gloriosa foi a cultura chilena dos anos sessenta e setenta.

Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali (2010)



Violeta Parra

Violeta VI



Ángel Parra, 2011

Em Maio deste ano, Ángel Parra deu um concerto no Casino de Gijón. Na penumbra olhava para o meu amigo, sempre elegante, vestido de preto e com uma écharpe branca, a cantar as canções de todos, essas mesmas canções que no velho casarão da calle Carmen, 340, nos tiravam o cansaço ou nos convidavam a amar mais ainda as nossas companheiras. Ángel é um monumento à dignidade, mas a isso não dá qualquer importância, e quando lhe perguntei como ia a Peña dos Parra, mal deixou entrever que havia problemas.


Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali (2010)



Ángel Parra, 2011

Violeta - V



Isabel Parra, 1973

Há alguns anos assisti a um recital de Isabel Parra em Paris. No Teatro Aleph, do Cuervo Castro, não cabia um alfinete, e eu ouvia e olhava para a cantora, para a minha amiga que com o cuatro nas mãos originava uma múltipla transformação. Ela era uma vez mais aquela Isabel, aquela Chabela pequenina e bela, de olhos brilhantes e voz acariciante. Eu e muitos dos que lá estavam éramos de novo rapazes que rondávamos os vinte anos e nos aquecíamos com o fogo da sua voz e o vinho servido na Peña dos Parra, a salvo do frio, do perigo, da morte e dos exílios que estavam eminentes.

Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali (2010)



Isabel Parra, Teatro Aleph, 2011

Branco - XXXXII


LEGENDA




Hoje, quero da vida
Que ela seja tranquila;
Que seja uma dor e doa,
Mas uma dor boa:
Sem o sal que na ferida
A torna mais dorida.





Emanuel Félix
Poemas de Melibeia
(1965)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cores


Liberdade





A que sabe
a liberdade?


A frutos
silvestres
a despontarem 
por aqui
e ali!





A.Oliveira, Lugares de dia

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Violeta - IV

Fora Roxo educado com padres e irmãos leigos, estivera estendido mago e morto numa praia atlântica, salvara-se de um poço por obra e graça de S. Tibúrcio - de trinta dias de indulgências plenárias no mês de Abril, com aleluias dedicadas especialmente a S. Frutuoso, do Arcebispado de Braga. E uma vez com exemplo, o nobre Duque de Orléans chamou-o a Paris tentando na alquimia da fama encontrar sossego para os seus achaques. Deixou também Roxo obras sobre sangrias e receitas tão famosas de boticário que ainda hoje se passam no País de Basto, junto ao Condado Portucalense. Rezam as velhas crónicas e os incunábulos de cartórios cistercienses que ele era doutorado com três borlas e um capelo pela sábia Universidade de Poitiers, e uma vez reconhecidos os seus altos méritos de estudos científicos no estrangeiro, lhe haviam dado, em Portugal e a título oneroso e por favor ministerial, a equivalência de uma carta de curso do segundo ciclo liceal, com expressa reserva no aproveitamento e frequência de línguas vivas, notadamente no francês; ponteava meias misturando na ajuda da mão esquerda farelo com serrim em partes iguais; acompanhou o Sagrado Viático a casa de um doente de embófia e a jogar gamão foi levado à glória por uma tal Violeta, mulher de acepipes variados, dengosa de anca e almondegada nas falas.

Ruben A.
Cores (1960)

Verde - XII







Robert Schumann
Cenas da Floresta, Op. 82


Cláudio Arrau

Daniel Mordzinski

Luis Sepúlveda
Daniel Mordzinski

Daniel Mordzinski é um homem esperado pelas histórias que querem ser fotografadas, pois sabem que a sua câmara possui outra maneira de contar.


Luis Sepúlveda
histórias daqui e dali

Azul - XXVII


Daniel Mordzinski
Carlos Monsivais

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Arco-Íris



Abba (1976)

Can you hear the drums Fernando? 
I remember long ago 
another starry night like this 
in the firelight Fernando 
you were humming to yourself 
and softly strumming your guitar 
I could hear the distant drums 
and sounds of bugle calls 
were coming from afar 

They were closer now Fernando 
every hour, every minute 
seemed to last eternally 
I was so afraid Fernando 
we were young and full of life 
and none of us prepared to die 
and I’m not ashamed to say 
the roar of guns and cannons 
almost made me cry 

There was something in the air that night 
the stars were bright, Fernando 
they were shining there for you and me 
for liberty, Fernando 
though we never thought that we could lose 
there’s no regret 
if I had to do the same again 
I would my friend, Fernando 

Now we’re old and grey Fernando 
since many years 
I haven’t seen a rifle in your hand 
can you hear the drums Fernando? 
Do you still recall the fateful night 
we crossed the Rio Grande? 
I can see it in your eyes 
how proud you were to fight 
for freedom in this land 

There was something in the air that night 
the stars were bright, Fernando 
they were shining there for you and me 
for liberty, Fernando 
though we never thought that we could lose 
there’s no regret 
if I had to do the same again 
I would my friend, Fernando



http://fernando.abba.letrasdemusicas.com.br/

Branco - XXXXI

Com um silêncio mais 
enriquecido
voltava a casa
com braços de floresta
amiga
no lugar dos olhos,
acometido p'los sentidos.


A. Oliveira
Lugares de rio 

Branco - XXXX

Caribaci