"Cresce atrás das coisas como incêndio de verdade". (Rilke - trad. MariaT.Furtado)
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
Arco-Íris
RETRATO DE RIMBAUD
Pois comigo na cama é que eu te queria
morder-te os sons visíveis e perversos
e enforcado nos cornos da poesia
esfregar-me nas imagens e nos versos.
Pois comigo na cama é que eu te queria
arco-íris de letras flor de gritos
dançando até ao espasmo da alegria
o apaixonado baile dos malditos.
Pois comigo na cama é que eu te queria
iluminado pelo cio aberto
da bala que se vê não se vigia
parece longe e entanto está tão perto.
José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias, Livraria Quadrante, 1970
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sexta-feira, 11 de julho de 2014
Amor - XLIII
Gisela João
Meu Amigo Está LongeAlain Oulman (música)
(2013)
Nem um poema, nem um verso, nem um canto,
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante,
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande.
Nem um som, nem um grito, nem um ai
Tudo calado, todos sem mãe nem pai
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo está longe
E a tristeza é tão grande.
Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor
Dor do amor sózinho, o amor maior
Amiga noiva mãe irmã amante,
Meu amigo está longe
E a saudade é tão grande.
José Carlos Ary dos Santos
http://www.musica.com
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sábado, 18 de janeiro de 2014
Azul - MXX
O TURISMO
Visitar este país
até à última gota:
O porco e o Porto a bola e a bolota
o que é como quem diz
itinerar a derrota.
Tudo tem lugar no mapa
Paris Washington Moscovo
Em Itália vê-se o Papa
em Lisboa vê-se o povo.
Welcome Bienvenus Salud Willkommen Viva
a sífilis saúda-vos saúda-vos a estiva
desta carga de heróis em carne viva
nociva mas barata;
vindes matar a sede com uva
beber o sumo de ócio que nos mata
Desemborcais nos cais desembolsais de mais
mas não sabeis
as coisas viscerais as coisas principais
deste país azul
com mais hotéis do que hospitais
talvez por ser ao sol talvez por ser ao sul.
Aqui ao pé do mar bordamos a tristeza
as toalhas de mão as toalhas de mesa
que levais para casa Souvenir
deste povo sem pão
que se cose a sorrir.
Aqui ao pé do rio gememos a saudade
nosso fado submisso nossa água a correr.
Canção de mal devir Souvenir Souvenir
deste povo de trégua
que se canta a morrer.
Aqui ao pé do vento forjamos o lamento
dum país que se vende a peso nos prospectos
tanto de sol ardente tanto de cal fervente
e uma nódoa de céu nos xailes pretos.
Aqui ao pé do fel gritamos o segredo
do que parece fácil neste país de luz:
É apenas a fome.
É apenas o medo.
É apenas o sangue.
É apenas o pus.
José Carlos Ary dos Santos
INSOFRIMENTO, in SOFRIMENTO
(1969)
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Ary dos Santos
José Carlos Ary dos Santos
Poeta Castrado,Não!
Do livro Resumo (1972)
http://www.youtube.com/watch?v=tAdeSCCAW9c
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