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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Amor - XIV

Carta de uma universitária de Lisboa de nome Mariana a seu noivo (?) António em parte incerta


     "Quantos milhares de anos somam estes três meses? E no entanto, quando zarpaste, eu não estava (e alguma vez estarei?) segura de nada. É assim a ausência a mãe da falta, deste vazio fundo em que me vadio por aí com tudo e com todos? Ou é antes no contraste de ti com isto, o que resta, o silêncio do resto, estas noitadas por aí à balda, as cadeiras serem cadeiritas, a contestação da malta uma merda que se vende em discos e cartazes, mas o que é que eu ando a fazer no meio desta gaita toda, eu que nem sequer tenho de que desertar e antes pelo contrário, enfio, enfileiro, e entregar-me, uma ova.
(...)
                                                                                                        Mariana

                                                                                                                    29/5/71


Maria Isabel Barreno
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Novas Cartas Portuguesas
(25/10/1972)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Amor - XIII

Primeira Carta IV

Como é que  o amor é possível?
Como é que não é possível?
que mais importa:
a história de um amor?
ou um amor na História?
                             na estória?

30/3/71


Maria Isabel Barreno
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Novas Cartas Portuguesas
(25/10/1972)

Branco - XLIII

Segunda Carta VIII

                   Irmãs:

     Uma de nós perguntou:

   "Mas o que pode a literatura? Ou antes: o que podem as palavras?

      E eu hoje respondo (nos) com esta frase de Reynaldo Arenas:

      "Nesse tempo sentia-me só e refugiava-me na literatura"

(...)

20/6/71

Maria Isabel Barreno
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Novas Cartas Portuguesas
(25/10/1972)