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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Azul - CLXXVI


  • Title Azore islands
  • Released 09/10/2015 10:00 am
  • Copyright Copernicus Sentinel data (2015)/ESA
  • Description
    This Sentinel-1A radar image was processed to depict water in blue and land in earthen colours. It features some of the Azore islands about 1600 km west of Lisbon, including the turtle-shaped Faial, the dagger-like Sao Jorge and Pico Island, with Mount Pico reaching over 2351 m in height.
    The image highlights the differences in the relief of the islands, with volcanoes and mountains clearly standing out.
  • (...)

Sentinel-1A has been in orbit since April 2014, monitoring the marine environment and mapping water and soil surfaces, among other major applications.





http://www.esa.int/spaceinvideos/Videos/2015/10/Earth_from_Space_Portuguese_wonders

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cores



Devo explicar que todas estas ilhas têm uma nuvem sua, uma nuvem própria, independente das outras nuvens e do céu, e com uma vida à parte no universo. Pode, por exemplo, estar o vento que estiver, vento que arraste todos os farrapos do ar, que a nuvem lá está presente tomando várias formas e feitios. Hoje é branca e pequena. À tarde muda de aspecto, ao mesmo tempo que o Pico muda de cor. Não sei que posição toma a nuvem, que em cima fica azul e na base doirada. Espero a hora de assombro em que esta montanha enorme emerge toda vermelha do mar verde, num céu que empalidece e com a nuvem cor-de-rosa agarrada a um dos flancos. É um espectáculo extraordinário: a vida da nuvem e a cor da montanha. Na base manchas roxas - verdura de pinhais, e no alto o barrete vermelho aguçado até à extremidade.


Raul Brandão
(1926)
As Ilhas Desconhecidas, Quetzal, 2011


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Preto - XXXIX

Na Horta, no primeiro domingo de Agosto, é a festa dos baleeiros. Alinham os seus barcos pintados de fresco na baía de Porto Pim, o sino toca brevemente um duplo som rouco, chega o padre e dá a bênção aos barcos. Depois organiza-se uma procissão que vai ao promontório que domina a baía, onde fica a Capela de Nossa Senhora da Guia. Atrás do padre vão as mulheres e as crianças, por fim os baleeiros, cada um com um arpão ao ombro. Vão muito circunspectos e vestidos de preto. Entram todos na capela para assistir à missa e deixam os arpões encostados ao muro externo, um a seguir ao outro, como noutras terras se encostam as bicicletas.


Antonio Tabucchi
Mulher de Porto Pim, Difel, s/d
(1983)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Cores




As Ilhas Desconhecidas são notas tiradas na viagem aos Açores e à Madeira, de 8 de Junho a 29 de Agosto de 1924, com a habitual espontaneidade do escritor que regista as suas primeiras impressões. Pode dizer-se sem exagero que este livro potencia e afina as qualidades de Brandão paisagista, porque, se n' Os Pescadores são notáveis e sui generis as notas sobre a luz e os seus infinitos cambiantes, a linguagem e a adjectivação da cor neste livro atingem uma originalidade definitivamente marcante. O Brandão d'Os Pescadores é o Brandão da luz; o Brandão d'As Ilhas Desconhecidas é o da cor. Se naquela obra os termos referentes à luz (e seus cambiantes) são mais frequentes, nesta, os termos respeitantes à cor (e seus cambiantes) são muito mais frequentes. O seu livro é, pois, um poema à luz e principalmente às cores insulares. 


http://www.culturacores.azores.gov.pt

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Azul - MXXXVII



Peter - Café Sport
Horta - Faial - Açores - Portugal

http://veleiro.net/Beethoven/travessiadoatlantico.htm




Café Sport símbolo del andar de los hombres libres por un mundo hermoso y extenso, sin fronteras de razas ni de costumbres.

Jacinto Viladomier, "Azul Profundo"
(1990)



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cores

    Margarida retirou a cabeça dos vidros e debruçou-se na amurada.
       À medida que o vapor se afastava, a cidade, feia ao perto e de casario tapado por Canta-Galo, a Misericórdia e a Rocha, desenhara na rede das luzes o seu corpo de sereia estirada. A bombordo perfilavam-se os vultos escalvados e negros dos ilhéus das Cabras, como uma baleia seguida do seu baleote inviável. A estibordo, fechado de pinheiros e muralhas, o negrume do Monte Brasil.
         Margarida deixou-se vaguear naquele recanto do convés. Um velho atlético, de barretinho de seda, dormia de boca aberta numa cadeira de lona, com os óculos na manta de viagem. Ao fundo, aproveitando o foco dos mostradores dos manípulos de manobra e a tampa especada da grande clarabóia que arejava a sala de jantar, um rapaz fino e triste, vestido pobremente, encarniçava-se sobre um lápis e um bocado de papel, contando pelos dedos. Talvez um caixeiro-viajante... Talvez um poeta... Para caixeiro-viajante era melancólico demais... Os caixeiros de amostras usavam uns bigodes floridos e fatos espampanantes. Ele tinha um buçozinho sem guias e as calças por vincar.

Vitorino Nemésio
Mau Tempo no Canal
(1944)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Priolo de S. Miguel



Vários projectos têm visado a protecção do Priolo e da Floresta Laurissilva, sendo o último deles, o Projecto LIFE-Priolo no âmbito do qual surgiu a criação do Centro Ambiental do Priolo.

Estima-se que em 2003, a população do priolo fosse de 400 individuos, limitada a fragmentos de vegetação nativa, pelo que o seu estatuto era de espécie 'Criticamente Ameaçada' . Os esforços de conservação desenvolvidos na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme, contribuíram para a melhoria do estatuto de conservação da espécie.

Actualmente, o priolo é uma espécie 'Em Perigo' , devido ao programa de recuperação do habitat nativo dos Açores e de acções de educação ambiental do Projecto LIFE-Priolo, desenvolvidas pela SPEA em colaboração com o Centro Ambiental do Priolo, o que evidencia o sucesso e a importância deste projecto.



http://www.centropriolo.com/index.php?op=textos&tipo=priolo