"Cresce atrás das coisas como incêndio de verdade". (Rilke - trad. MariaT.Furtado)
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Vermelho - XCI
ETERNO FEMININO
Faz-me lembrar
o meu romance
do Rio Grande.
Eu era vaqueiro.
Suava cavalos,
comia bom bife.
Ela dormitava
lá no Rio Grande.
Um dia, ela disse:
Traz o meu cavalo,
vem daí comigo.
Fui.
Ruy Cinatti
Conversa de Rotina
(1973)
(Ruy Cinatti-Antologia Poética, Joaquim Manuel Magalhães, Ed. Presença, 1986)
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Ruy Cinatti
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Branco - CLXXVI
Por entre a verdura
uma flor branca floresce -
não lhe sei o nome.
SHIKI (1869-1902)
Bashô, Buson, Issa, Shiki, Imagens Orientais
(versão portuguesa: Luísa Freire)
Assírio & Alvim, 2003
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Preto e Branco - XLVI
Com três cores,
azul, vermelho e amarelo,
fabricas as restantes.
O preto não o fabricas -
é.
Tal como o branco.
Giánnis Ritsos, Papéis, 1974
(in: Antologia, Fora do Texto, Coimbra, 1993 - tradução de Custódio Magueijo)
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Preto e Branco
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Amor - LVIII
IV.
A graça feminina
Ainda mantém o mundo.
E secamente o digo, Poetas,
Se não cantais o amor.
Se não cantais em louvor
Da graça duma ternura,
Que é a vida? Ai, amor,
A vida é uma amargura.
Natal, 1956
Afonso Duarte
Lápides e outros poemas (1956-1957), Iniciativas Editoriais, 1960
A graça feminina
Ainda mantém o mundo.
E secamente o digo, Poetas,
Se não cantais o amor.
Se não cantais em louvor
Da graça duma ternura,
Que é a vida? Ai, amor,
A vida é uma amargura.
Natal, 1956
Afonso Duarte
Lápides e outros poemas (1956-1957), Iniciativas Editoriais, 1960
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Branco - MLXX
POÉTICA
1
Que é a Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.
2
Que é o Poeta?
um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.
Cassiano Ricardo
(1964)
Antologia da Poesia Brasileira, José Valle de Figueiredo, Ed. Verbo, s/d.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Branco - MXLV
O poeta é um caçador atrás do verso que não há.
Manuel Alegre
Jornal Público
(9/08/2003)
domingo, 20 de novembro de 2011
Violeta - III
SONETO PATETA I
Quem coroou a palavra de corneta
quem pôs a tormenta na caneta
quem disse poeta?
Lágrima sineta
faz da jumenta cinzenta
esta violeta.
Salette Tavares
Espelho Cego
(O Surrealismo na Poesia Portuguesa)
Quem coroou a palavra de corneta
quem pôs a tormenta na caneta
quem disse poeta?
Lágrima sineta
faz da jumenta cinzenta
esta violeta.
Salette Tavares
Espelho Cego
(O Surrealismo na Poesia Portuguesa)
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
FRUTO
Sísifo
Recomeça....
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Poesia Completa, 1977
domingo, 24 de abril de 2011
Equilíbrio
HAI-KAI
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio d'asas.
- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão-Ferreira
(1958)
Lira de Bolso (1969)
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio d'asas.
- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão-Ferreira
(1958)
Lira de Bolso (1969)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Engrenagem
Engrenagem
O dia nasce limpo e luminoso,
Mas não te iludas, homem!
A Natureza já não é contigo.
Daqui a nada toca no quartel,
Apita a fábrica de meias,
Abre a mercearia,
E só então tu poderás saber
Se poderás viver,
E se chove,
E se neva,
E se o adeus da tua Eva
Te comove.
Miguel Torga
Poesia Completa
O dia nasce limpo e luminoso,
Mas não te iludas, homem!
A Natureza já não é contigo.
Daqui a nada toca no quartel,
Apita a fábrica de meias,
Abre a mercearia,
E só então tu poderás saber
Se poderás viver,
E se chove,
E se neva,
E se o adeus da tua Eva
Te comove.
Miguel Torga
Poesia Completa
sexta-feira, 25 de março de 2011
Pensamentos - I
Segundo pensa, o poeta só pensa
quando não pensa que pensa;
ou quando pensa que não pensa.
Daí a sua desconfiança
perante os que pensam
que estão sempre a pensar.
David Mourão-Ferreira
Jogo de Espelhos - Auto-Retrato
quando não pensa que pensa;
ou quando pensa que não pensa.
Daí a sua desconfiança
perante os que pensam
que estão sempre a pensar.
David Mourão-Ferreira
Jogo de Espelhos - Auto-Retrato
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quarta-feira, 16 de março de 2011
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