Mostrar mensagens com a etiqueta Mulher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mulher. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Verde - LI



     Novélia e eu nunca falámos. Para quê? Às cinco e um quarto da tarde em Portugal os nossos olhos encontram-se. Às vezes penso nisso. No rigor. Na matemática. Então descubro que as nossas caras são duas equações a uma incógnita com o mesmo resultado (os olhos) sempre. Mas as equações são sempre diferentes. Variam com o frio, com a humidade, com a menstruação. Novélia e eu nunca falámos. Nunca dissemos nada um ao outro. Apenas esperamos. Às vezes pergunto-me (pergunto-te): és casada? Virgem? Tens um filho loiro ou verde? Quantos homens passaram pelos teus lábios? Quantas esperanças nasceram a par dos teus seios? Quando me conheceste? Quando nos conhecemos?
       Depressa Novélia: existes ou não? Diz. Diz.




Manuel da Silva Ramos
(1969)
os três seios de Novélia, Dom Quixote, Lisboa, 2008


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Preto - XLII




Coco Chanel

Vestido Preto



Coco Chanel

Vestido Preto

Vogue

(1926)

http://www.hungertv.com/feature/ten-ways-coco-chanel-changed-fashion/

http://www.fashionfab.com/blog/?tag=coco-chanel

domingo, 1 de maio de 2016

Vermelho - LXXXVIII

Nenhum dia, nem o que lhes está reservado com nome próprio, é mais Dia da Mulher do que o dia em que coincide o Dia da Mãe com o Dia do Trabalhador. E isso acontece sempre que o primeiro domingo de Maio calha no dia 1. 
(...)
Este dia que já foi da minha mãe e que é agora da minha mulher, que é mãe a 100% e profissional a 100%, é como sempre foi o Dia de todas as mães trabalhadoras. Das poucas que conseguem vencer nos dois lados e da larga maioria a quem não são dadas hipóteses de o fazer. Não deixo de me questionar: por onde andava o mundo sem a energia destas mulheres? Sem a sua humildade, a sua inteligência, a sua perseverança?



Paulo Baldaia




http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/paulo-baldaia/interior/hoje-e-o-dia-da-mae-trabalhadora-5152295.html




terça-feira, 21 de julho de 2015

Branco - MLXVII



Juergen Teller
Lara Stone
(2015)



(...)
5. No limite, Teller desdramatiza a nudez, qualquer forma de nudez. O corpo nu não diz "mais" (nem "menos") do que o corpo com adereços: é apenas uma variação de códigofigurativo porque, em boa verdade, nenhuma imagem é a reprodução automática de qualquer estado natural. Ou ainda: o natural é sempre cultural.




http://sound--vision.blogspot.pt/2015/06/a-nudez-de-lara-stone.html





segunda-feira, 6 de julho de 2015

Preto e Branco - LXXXVI


     Ela ia sempre acompanhá-lo à despedida até ao primeiro degrau da escada do patamar. Enquanto esperava que lhe trouxessem o cavalo, ela ficava ali. Já se tinham despedido, não diziam mais nada um ao outro; o ar livre rodeava-a, levantando-lhe e misturando-lhe os cabelinhos soltos na nuca, ou sacudindo-lhe sobre a anca as fitas do avental que se enroscavam como bandeirolas. Uma vez, na altura do degelo, a casca das árvores ressumava sobre o pátio, a neve nos telhados das dependências derretia-se. Ela estava no patamar; foi buscar a sombrinha, abriu-a. A sombrinha, de seda cor de ardósia, deixava passar o sol que lhe iluminava com reflexos móveis a pele branca do rosto.
     Ela sorria debaixo do abrigo ao calor morno; e ouviam-se as gotas de água, uma a uma, cair sobre o chamalote retesado.


Gustave Flaubert
Madame Bovary, Civilização Editora, 2012 (trad.: Daniel Augusto Gonçalves)
(1856)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mulheres - XIII





Desde 1968 que o MDM tem produzido milhares e milhares de documentos, numa acção quotidiana e na busca dos conceitos apropriados para revelar acções, posições, sentimentos, afectos, trajectos de luta. Este é um valiosíssimo património: documentos e fragmentos, testemunhos e narrativas, imagens e fotografias, que reconstituem a história política da luta das mulheres em Portugal e a sua interligação com outras organizações de mulheres no mundo, dando a abrangência da acção de mulheres pela democracia, desenvolvimento, igualdade e paz.



http://arquivo.mdm.org.pt/

domingo, 26 de outubro de 2014

Preto e Branco - LXXVIII


Helena Almeida
(Maridajes, 2014)


(...) La exposición "En Femenino", nos enseña como varios fotógrafos han acudido de manera recurrente, ya sea por placer o por profesión, a mostrarnos el universo femenino en sus fotografías. (...)

Así mismo, el recorrido nos acerca instantáneas robadas de mujeres que deambulan por museos (Gabriel Cualladó y Rafael Sanz Lobato), el gesto fugaz de una mujer al entrar en un coche (Xavier Miserachs), las esperas en el entreacto del teatro o en el descanso del trabajo (Oriol Maspons y Paco Gómez), los abrazos furtivos (Ramón Masats y António Julio Duarte), así como retratos que nos sugieren mundos poéticos (Helena Almeida), junto a mujeres fascinantes que posan conscientes (Humberto Rivas y Nicolás Muller) o ausentes (Javier Vallhonrat y Joan Colom). El resultado es una enriquecedora constelación de fascinantes historias sobre la mujer.



http://roda.es/prensa/noticias/noticia-ampliada/resultados



António Júlio Duarte
(Maridajes, 2014)

domingo, 19 de outubro de 2014

Vermelho - LXXIV

     Na rua, a esta hora, ele passeia-se com certeza para cá e para lá, como uma bola presa por um elástico ao tronco do candeeiro - a sombra oblíqua para um lado e a volta, o caminho reconhecido, para cá, obstinado. Dir-lhe-ei: mas hoje não, saio sozinha comigo, com o meu vestido e os meus pingentes, ficarei livre de sorrir a perguntar: e tu, queres sopa?
     Um vestido vermelho. E pintar a cara, ver-me ao espelho com desproporcionados olhos de formiga, serei um desenho animado. Brincos que tilintem quando eu disser que  decididamente não. O restolhar e o tilintar, ruídos das fantasias do corpo. (...)



Luísa Costa Gomes
13 Contos de Sobressalto (Os Dois Relógios), Livraria Bertrand, 1982.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Branco - MXXXVII



Sílvia Patrício
(2012)

Azul - MXXXIII



Laura La Wasilewska
Elevenses
(2012)


http://laurawasilewskart.tumblr.com/page/2

Branco - MXXXV


Aga Pietrzykowska
Akt Czerwony
(2012)


http://sklep.gallerystore.pl/work,7459,akt-czerwony


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Natália Correia





AUTOGÉNESE



Nascitura estava
sem faca nos dentes
cómoda e impura
de não ter vontade
de bater nas gentes.

Nasce-se em setúbal
nasce-se em pequim
eu sou dos açores
(relativamente
naquilo que tenho
de basalto e flores)
mas não é assim:
a gente só nasce
quando somos nós
que temos as dores;

pragas e castigos
foram-me gerando
por trás dos postigos
e um fórceps de raiva
me arrancou toda
em sangue de mim.

Nascitura estava
sorria e jantava
e um beijo me deste
tu Pedro ou Silvestre
turvo namorado
do verão ou de outono
hibernal afecto
casca azul do sono
sem unhas do feto.

Eu nasci das balas
eu cresci das setas
que em prendas de sala
me foram jogando
os mulheres poetas
eu nasci dos seios
dores que me cresceram
pomos do ciúme
dos que os não morderam;

nasci de me verem 
sempre de soslaio
de eu dizer em junho
e eles em maio
de ser como eles
às vezes por fora
mas nunca por dentro 
perfil de uma estátua
que não sou de frente.

Nascitura estava
e mais que imperfeita
de ser sorte ou dado
que qualquer mão deita.

Eu nasci de haver
os bairros da lata
do dedo que escapa
dos sapatos rotos
da fome que mata
o que quer nascer
e que o sábio guarda
em frascos de abortos

eu nasci de ver
cheirar e ouvir
dum odor a mortos
(judeus enlatados
para caberem mais
mas desinfectados)
pelas chaminés
nazis a sair
de te ver passar
de me despedir
de teus olhos tristes
como se existisses.

Nascitura estava
tom de rosa pulcra
eu me declinava
vésper em latim:
impura de todos
gostarem de mim.


Natália Correia
edoi lelia doura
antologia das vozes comunicantes
da poesia moderna portuguesa
Assírio & Alvim
1985


http://canaldepoesia.blogspot.pt/2011/06/natalia-correia-autogenese.html



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Verde - XXXI


Contorcionista Zlata

AFP PHOTO / ROLF VENNENBERND 

Bergisch-Gladbach
9/9/2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Mulheres - IX

Uma comissão da assembleia-geral da ONU adotou, na quarta-feira à noite, uma resolução histórica em defesa dos direitos das mulheres, apesar de uma forte campanha contra o texto.

Para conseguir uma aprovação por consenso, os promotores da resolução,  liderados pela Noruega, foram obrigados a retirar um parágrafo que condenava  "todas as formas de violência contra as mulheres". (...)
A Noruega decidiu eliminar um parágrafo a estipular que os Estados devem  "condenar firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra  as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições  ou religião para esquecer obrigações" assumidas.  
Mais de 30 países europeus, entre os quais o Reino Unido, a França e  a Alemanha, retiraram-se enquanto coautores da resolução, em protesto por  esta concessão.  (...)

domingo, 20 de outubro de 2013

Mulher - III


ALEGRIA



Novidade é uma rapariga solta
que passa, 
me afaga,
redime
quando nela fito
os meus olhos piscos
e rio.


Ruy Cinatti
tempo da cidade
(1996)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mulher - II

(...) O fim do mundo, sim. Talvez o fim do mundo nos revele o que um perplexo século de evolucionismo não foi capaz de desvelar. Como é que , na admirável engenharia do mundo, de tão económica racionalidade, se explica a sumptuária dissipação do orgasmo feminino? O prosaico orgasmo masculino é autoexplicativo: seminal e basta. Mas o esplendor, exuberante ou gutural, do êxtase feminino é um luxo obsceno, espécie de Prada ou Gucci da fusão dos corpos. (...)

Manuel S. Fonseca
O Fim do Mundo - Actual, Jornal Expresso
(8/09/2012)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mulher - I



Nina Simone
Just like a woman
(1966)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cores


A estrela banhou de rosa a polpa de tuas orelhas
O infinito cobriu a branco de tua nuca a teu ventre
O orvalho marinho arruivou tuas tetas vermelhas
E o Homem sangrou negro a teu flanco eminente...

Arthur Rimbaud
Cartas do Visionário e mais nove poemas
Trad. Ângelo Novo
(1871)