Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Manuel Amaral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Manuel Amaral. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de outubro de 2011

Liberdade

Tosse

Eis pois como as coisas se passaram: a palavra "liberdade" passava de boca em boca e crescia, crescia, crescia. Até que alguém tossiu e a ordem foi restabelecida.

Rui Manuel Amaral
Caravana

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rui Manuel Amaral

Jogo


Didius Kysarcius nunca tinha jogado na vida.
Aos sessenta e tal anos, descobriu o prazer dos jogos verbais. As coisas começam muitas vezes assim. Tornou-se um jogador compulsivo. Em pouco tempo, esbanjou todos os seus recursos em apostas infelizes. Perdeu tudo. Morreu abraçado a um advérbio de modo. O último que lhe restava.

Rui Manuel Amaral
Caravana (2008)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Preto e Branco - V

Os mirones


O dia entra na noite. A noite entra no dia. E os relógios observam isto, excitados e silenciosos, como os velhos mirones atrás das dunas.


Rui Manuel Amaral
Caravana (2008)

domingo, 23 de outubro de 2011

Branco - XXXI

Ptolomeu Hefestião


Ptolomeu Hefestião resistia imutavelmente a todos os ataques dos homens e à fúria mais terrível dos elementos. Mas era incapaz de resistir ao suave toque de um asfódelo.
Uma bela moral se poderia tirar facilmente daqui, mas não tenho tempo para isso. Bastará dizer que os morangos silvestres, sempre que possível, devem ser acompanhados com chantilly, pois trata-se de um ingrediente que introduz variedade e impede que esmoreça o apetite.

Rui Miguel Amaral
Caravana (2008)