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sábado, 30 de dezembro de 2023

Cores


Companhia das Letras, Lisboa, 2021



Matou-se capivara gorda, por fim. Dum geralista roto, ganhamos farinha-de-burití, sempre ajudava. E seguimos o corgo que tira da lagoa Sussuarana, e que recebe o do Jenipapo e a Vereda-do-Vitorino, e que verte no Rio Pandeiros - esse tem cachoeiras que cantam, e é d'água tão tinto, que papagaio voa por cima e gritam, sem acordo: - É verde! É azul! É verde! É verde!... E longe pedra velha remelêja, vi. Santas águas, de vizinhas. E era bonito, no correr do baixo campo, as flores do capitão-da-sala - todas vermelhas e alaranjadas, rebrilhando estremecidas, de reflexo. - "É o cavalheiro-da-sala..." - Diadorim falou, entusiasmado. Mas o Alaripe, perto de nós, sacudiu a cabeça. - "Em minha terra, o nome dessa" - ele disse - "é dona-joana... Mas o leite dela é venenoso..."

 

(p50-51)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Amor - LXI



Cadeira Vazia
Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves
(1950)

Mariza
(2010)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Azul - MLIII



Alceu Valença
La Belle de Jour (1991)
Orquestra de Ouro Preto
(2012)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vermelho - LXIX

     O "Sapucaia" apitou, recolheu a sua prancha e começou a afastar-se do grande barranco, que três inolvidáveis palmeiras, altas e garbosas, padroavam e se viam de largo, nobres como propileus e representativas como um brasão do seringal.
     Uma única luz ardia em terra: a do farol que iluminava os degraus de acesso à varanda do barracão maioral, esse farol que, durante anos, eu fora encarregado de acender, de apagar e de limpar dos insectos que sobre ele morriam ao longo das noites tropicais.
  "Ainda disse adeus com um lenço, mas ninguém me respondeu" - recorda-me o velho papel onde fixei, a lápis, pouco tempo depois, a emoção dessa segunda aventura, maior e mais incerta ainda do que a primeira, duma existência sonhadora e deserdada.
     A luz do farol ia diminuindo ao longe, pequena, estática, um ponto único e vermelho na noite da floresta - um ponto final na minha vida ali.


Ferreira de Castro
A Selva, Livraria Civilização
(1930)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Amarelo - LIV



Favela da Rocinha
Rio de Janeiro
(2014)


https://blogdogersonnogueira.wordpress.com/page/2/

sábado, 14 de junho de 2014

Amarelo - LI


Brasil
Campeonato do Mundo de Futebol
(12/06/2014)



http://www.stamfordadvocate.com/sports/article/It-s-finally-here-Brazil-World-Cup-begins

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Branco - MXXXI


Paulo de Carvalho
Antes que seja tarde
(1972-74)

(...) Em 1972, ocorreu uma conturbada
participação de José Afonso no VII Festival
Internacional da Canção (FIC), no Rio de Janeiro.
O maior nome da canção portuguesa foi
escolhido para representar Portugal no Festival
por meio de telefonemas a uma rádio, junto com
o cantor português, Paulo de Carvalho. Este
último foi preterido pelo próprio Festival, porém
a canção que ele interpretaria, Antes que seja
tarde, de Pedro Osório e José Niza, segundo o
último, foi vetada pela censura brasileira e
teve de ser escrita por Niza uma outra letra:
Maria, vida fria. (...)


 Alexandre Felipe Fiuza. 
“As metáforas e a censura ao cancioneiro engajado no Brasil, Portugal e Espanha. ”Revista Temas & Matizes - Unioeste - Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - vol. 5 - Nº 10 - 2º Semestre de 2006, p. 53-60


www.unioeste.br/saber


Porque choram os teus olhos? diz...
Porque tens medo do mar?
Porque vives de ilusão,
E é fria a tua mão,
E dizes sempre não?
O que foi que o mar levou de ti?
Com que ondas te enganou?
Que esperança te roubou, a angústia te rasgou?
Maria lua, dançando nua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...
Maria amar, Maria amor, Maria paz...Maria... tanto faz...
Porque choram os teus olhos? diz...
Porque tens medo do mar?
Por um barco que não vem,
Tua cama foi de cem,
Teu corpo, de ninguém.
Em teu rosto de criança estão
Dois cardos de solidão.
Na tua carne de mulher,
As noites de quem quer.
Maria lua, dançando nua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...Maria muita, Maria pouca, Maria louca...
Maria amar, Maria amor...
Maria nua, dançando à lua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...
Maria muita, Maria pouca, Maria louca...
Maria amor, Maria paz...
Maria...tanto faz...


http://faixa5.blogspot.pt/2008/03/maria-vida-fria.html