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sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril


Fernando Lopes Graça (música)
José Gomes Ferreira (poema)
Acordai
(1945)
Ana Maria Pinto
(2012)


Acordai
acordai

homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!




25 de Abril


Fernando Lopes Graça (música)
José Gomes Ferreira (poema)
Acordai
Coro de Câmara Lisboa Cantat
(1945)


Acordai
acordai

homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Afonso Duarte

Tantos de tal. Qualquer ano serve, porque
sempre se falará de Afonso Duarte através 
dos tempos. (Mas poucos o lerão.)




       Nenhuma outra poesia, como a de Afonso Duarte, me suscita com mais agudeza a sensação de liberdade - essa mistura dos deuses em que o voluntário e o involuntário se combinam em doses subtis, jeitos populares, enovelamentos de enigma e lógica de música. Poesia ao mesmo tempo espontânea e trabalhada de buril, em que basta a troca de um termo para a tornar labirinto - embora sempre com aquela luzinha ao fundo de todos os contos dos meninos perdidos na floresta. (...)

          Poesia que há-de ir abrindo aos poucos, através dos dias e dos meses... hoje, este poema... amanhã aquele... sem nunca todavia correr o risco, como em tantos outros poetas, de se transformar num estendal de flores ocas...
          Na poesia de Afonso Duarte haverá sempre um último véu - e esse de limpidez inrasgável.


José Gomes Ferreira
Imitação dos Dias
(1966)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Amor - XXV

Madrigal.

                    O Amor é este milagre de fazer com que a intimidade de suor cheire a estrelas...

José Gomes Ferreira
Imitação dos Dias
(1966)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Branco - LXVI


Disco

Ai dos homens que, quando ouvem Mozart, só vêem - até nas árvores, nas brisas e nas flores - casacas rococós, calções de seda, vénias de rendas... em vez de ficarem com os corações mais nus.

José Gomes Ferreira
Imitação dos Dias
(1966)



Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto para Piano e Orquestra Nº20 em Dó Menor K 466
(1785)

Camerata de Salzburgo
Mitsuko Uchida (piano e dir.)
(2001)


sábado, 13 de abril de 2013

Azul - MVI

"Fim de semana.



   Parti para o campo com o outro campo na cabeça, o aprendido nas sebentas do sonho. E, para impedir o choque das trajectórias dos dois campos - um a querer sair-me da imaginação e o de fora a pretender entrar de qualquer maneira -, deitei-me ao comprido à sombra de uma moita azul.
       E então - que é isto? -, a encher o peito daquele ar purificado pelos pulmões das flores, senti aos poucos e poucos desprender-se-me dos ombros um fardo qualquer...
       E a cabeça principiou a esvaziar-se, com alívio físico de leveza de balão..."


José Gomes Ferreira
Imitação dos Dias
(Portugália, 2ª ed., 1970)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amarelo - IX

                                             (Deitado de costas. Noite alta. Amanhece.)

Insónia.


O problema está em meter o sol no pão
embora a noite amarga continue
mais visível ainda noutras fomes.


Burburinhos na rua de gente apressada
para não faltar ao emprego
- não, não gritem tanto,
deixem dormir as flores.


Ponho sonâmbulo os pés no chão.
Levanto-me. Abro a janela.
(Continuo deitado)


Da cidade vem este cheiro tão bom
a princípio do mundo.


A sol incriado.


(O problema está em metê-lo no pão...)




José Gomes Ferreira
Poesia V

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Amarelo - II



LIV

Pobre mendigo!
Queres uma mulher nua,
mas só tens a lua
para dormir contigo.


A lua - imagina -
que nem a um poeta
satisfaz!
- Sonâmbula mulher incompleta
com cabeça de menina
e corpo de gás...

José Gomes Ferreira
Eléctrico, 1956

domingo, 21 de novembro de 2010

Poetas I

Poeta o que é ?
Um homem que leva
O facho da treva
No fundo da mina
─ Mas apenas vê
O que não ilumina.


José Gomes Ferreira