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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cores




POEMA PARA LAURENCE CALEGHARI




Com extrema aplicação,
como quem escreve um poema,
compõe o pintor a sua paleta.

Primeiro os brancos, com que inventa os navios. Logo
os amarelos, imenso campo de trigo.

Com os vermelhos,
hasteia uma bandeira. Enquanto
os azuis cumprem o destino do vento.

Com o verde
preenche a alegria das folhas.
E os castanhos são
a pele húmida dos montes.

Finalmente o preto.
Com ele escreverá
apenas a palavra liberdade.

                                                                                                                   Paris, 1979


Emanuel Félix
A Viagem Possível-Poesia (1965/1992), Vega, s/d

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Verde - XIII



Mensagem





Partirei em meu cavalo verde
de olhos cor de infinito
e hei-de procurar por todos os caminhos
a estrela que me pertence


Depois, com raízes na tua existência
meus braços crescendo para o céu


Meu destino de pássaro e árvore





Emanuel Félix
O Vendedor de Bichos 
(1965)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Branco - XXXXII


LEGENDA




Hoje, quero da vida
Que ela seja tranquila;
Que seja uma dor e doa,
Mas uma dor boa:
Sem o sal que na ferida
A torna mais dorida.





Emanuel Félix
Poemas de Melibeia
(1965)