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sábado, 9 de dezembro de 2017

Cores


     O que me resta, portanto, para existir, é a pintura. Se deixasse de pintar seria o desespero total. As cores, as cores e nada mais, são a única linguagem que consigo falar, as cores dizem-me ainda alguma coisa. São vivas, ao passo que as palavras perderam para mim sentido, valor, toda e qualquer expressão. As cores, para mim, são ainda deste mundo; cantam, são deste mundo e parece-me que me põem em comunicação com o Outro Mundo. Nelas encontro o que a palavra perdeu. Elas são a palavra: é o desenho, também, mas é sobretudo a cor que é palavra, linguagem, comunicação, vida, tudo quanto pode pôr-me em comunicação com o resto, com o universo. É o que me prende a Ele, o que faz com que eu viva. Mas tenho ainda outro receio, receio que as vozes das cores se esgotem, se extingam. Medo de me repetir, portanto, medo de que elas não retornem depois de terem chocado com a parede fria da não expressão: porque a repetição é mortal, cliché mortal, não invenção, ou seja, não vida, esgotamento.
      É esse receio, segundo F., que explica os meus desarranjos intestinais, a minha tristeza, o meu abatimento, a depressão. E isso pode impedir-me de pintar: tenho receio de nunca mais poder pintar. Sim, é este receio que pode vir a enterrar-me ainda vivo, por tão pouco tempo ainda vivo. A cor, ó vida minha, cores, palavras minhas derradeiras, cores, personagens deste mundo, cores minhas testemunhas, meus universos, cores, existências, cores vivas, acompanhai-me, ajudai-me, vivei para que eu exista, cores, vós figuras vivas, sinais da vida, enfeites.


Eugène Ionesco
a Busca Intermitente, Difel, Lisboa, 1990

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

René Magritte



René Magritte

L'Art de la conversation

(1950)



https://www.wikiart.org/en/rene-magritte/the-art-of-conversation-1950-3

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Azul - CLXXXIII



José Fernando Vasco

Pessoas não têm raízes

Pantónio

(2014 - Figueira da Foz)



http://pallasathena-pt.blogspot.pt/2014/11/pantonio-na-2-edicao-do-fusing-figueira.html



domingo, 11 de dezembro de 2016

Azul - CLXXXII



Hazul Luzah

Porto - Portugal



http://www.arquiteturaportuguesa.pt/hazul/

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Artemisia Gentileschi



Artemisia Gentileschi

Auto-Retrato

(1638-1639)

http://artemisiainc.com/blogs/artemisia-blog/11307413-meet-artemisia





(...)"A pintura mostra a artista envolvida na revelação da realidade, que é inerente ao acto de pintar, mas não exibe a consciência de si mesma da autora, contrariamente ao que costuma suceder neste género de representações. Não olha para nós, não se mostra de frente. Pelo contrário, o seu corpo traça um arco de tensão e vontade apontado ao objecto que quer pintar e que não vemos porque está mergulhado na luz emitida pela realidade, ou seja, emitida de fora do quadro. A mão e o pincel estão ainda imóveis. Os lábios entreabertos. Os olhos atentos. Não há na imagem convencionalidade, mas tão-pouco sedução ou falsa modéstia. É uma imagem de uma mulher que trabalha, e é precisamente disso que resulta, como uma espécie de transpiração do espírito, a graça das linhas curvas do corpo, da lisura branca da pele, da desordem matinal do penteado. " (...)



Paulo Varela Gomes
Um Tractor Cor-de-Rosa 
Jornal Expresso, 8/9/2013


sábado, 21 de maio de 2016

Vermelho - LXXXIX



Amadeo de Souza-Cardoso

MacCall's

(1918)




http://www.sabado.pt/gps/detalhe/um_grand_palais__demasiado__pequeno_para_amadeo_de_souza_cardoso.html

quinta-feira, 10 de março de 2016

Cores



Edvard Munch
O Grito
(1893)


http://abcplanet.com/where-is-the-scream-by-edvard-munch




(...) Uma das pinturas expressionistas mais icónicas é "O Grito", de Edvard Munch. O quadro foi mostrado pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, que não por acaso, se intitulava "Estudo para uma série chamada Amor". De facto, só entenderemos o grito em articulação com a necessidade de amor que nos habita até ao fim. No seu diário, Munch descreve a situação que terá desencadeado aquela imagem: "Passeava com dois amigos ao pôr do sol - o céu tornou-se de súbito vermelho-sangue - eu parei, exausto, e debrucei-me sobre a muralha - havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e a cidade - os meus amigos continuaram o passeio, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade - e ouvi o grito infinito atravessar a Natureza. Pintei então este quadro. Pintei as nuvens com sangue verdadeiro. As cores gritavam. (...)



José Tolentino Mendonça
Expresso, 13/02/16



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Vermeer


Vermeer de Delft 

 

É a manhã no copo:
Tempo de decifrar o mapa
Com seus amarelos e azuis,
De abrir as cortinas - o sol frio nasce
Nos ladrilhos silenciosos -,
De ler uma carta perturbadora
Que veio pela galera da China:
Até que a lição do cravo
Através dos seus cristais
Restitui a inocência.

 

Murilo Mendes
Poesia Liberdade
(1947)





Jan Vermeer 
A Lição de Música
(1664)


https://en.wikipedia.org/wiki/File:Jan_Vermeer_van_Delft_014.jpg


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Amor - LIII



Maria Augusta Araújo
Leda e o Cisne
(1993)



sábado, 12 de setembro de 2015

António Charrua




António Charrua
Sem Título
(1972)



(...) O "Grande X" nasce das "Ameaças", do avanço das formas oblíquas a trilhar a tela. Para lá desta forma, surge por diversas vezes a cruz de recorte tradicional ou a cruz grega. Não tem, nas palavras de Charrua, um sentido cristológico, mas um carácter abrangente de falência da humanidade, decesso, dor. E nela a morte e o questionar último do sentido da vida. Nos anos seguintes, a cruz será T, será escada ascensional. (...)



Ana Ruivo
X de Charrua-Antológica
CAM-Centro de Arte Moderna Gulbenkian
2015




http://cam.gulbenkian.pt/CAM

https://pt.wikipedia.org


domingo, 2 de agosto de 2015

Vermelho - LXXXIII



António Charrua
Voo Nocturno
(Tapeçaria de Portalegre)



http://www.mtportalegre.pt/pt/artists/view/24/1


sábado, 1 de agosto de 2015

Cores



Cristina Mateus

(Galeria Fernando Santos - Porto)


(...) 

Estes Cartões constituem um exercício estranhamente convencional.   Uma parábola do dever e respectivo cumprimento. A busca como fim, não o resultado como epílogo tranquilizador. Como se encontra a cor certa? Aquele vermelho é o meu vermelho, é o vermelho que me define hoje ou é o vermelho que nos (as) define na sua banalização absoluta? 

(...)

Miguel von Hafe Pérez




http://www.galeriafernandosantos.com/ex_detail.php?id=134


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Cores



Akira Kurosawa
Sonhos
(1990)

terça-feira, 21 de julho de 2015

Cores



João Vieira
Sem Título
(2004)

http://www.saomamede.com/artista_eng.php?tipo=&id_artista=113&ver=obr&page=1




Do Universo
o Mar.
O azul inflado.
Ar.


A.Oliveira
Lugares de vento



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Azul - MLVII



Odeith


http://www.tabonito.pt/o-artista-portugues-que-faz-o-graffiti-saltar-do-muro

quarta-feira, 4 de março de 2015

Azul - MLV




Oskar Kokoschka 
Autoretrato
(1948)





http://www.museejenisch.ch/eng/musee/espace_oskar_kokoschka

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Preto - XL



Trilogia (Deus, Pátria e Família)
 (mina negra sobre papel)

Manuel Filipe
(1943)



http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Filipe

http://www.cm-condeixa.pt/noticias/noticia.php?id=1494

domingo, 4 de janeiro de 2015

Cores



Nicholas de Staël
Les Toits
(1952)

http://www.kweeper.com/danch666/image/84069





"Les Toits": Um Quadro de  Nicholas de Staël


Escondeste-o, isso, aí debaixo da tinta,
uma cor, o tema do teu quadro,
que está aí, algures,
debaixo dos ladrilhos, das telhas, dos caixilhos, dos vasos da chaminé:

isso, seja o que for,
que não ousas (não queres)
ver mais,
uma cor que um dia viste
que pode ainda lá estar, que tem de estar
aí sob os cinzentos, verdes-cinza, azuis-cinza, arco-íris cinza:
essa 
cor de faca, implacável cor, uma cor
que tapaste, fingindo pintar um quadro
de telhados -
para declarar com tão medonha candura
que não podias ocultar de outra maneira.



Gael Turnbull
A trampoline, Cape Goliard Press, Londres, 1968
In: Antologia da Poesia Britânica Contemporânea, Livros Horizonte, Lisboa, 1982 (tradução de Manuel de Seabra)










segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Fernando Pessoa


(...) De facto, a ruptura com os monoteísmos ontológicos é uma característica da cultura do século XX, que começa com Einstein através da ruptura do espaço e do tempo objectivos, depois com Picasso que traz a ruptura da imagem objectiva da realidade, e por fim em Pessoa com a ruptura da imagem objectiva do eu. Por isso, Pessoa, mais do que um escritor português, é uma proposta nova para um mundo novo. (...)


Basilio Losada
Jornal das Letras, 13/6/2001

Vermelho - LXXVII



Henri Matisse
L'atelier rouge
(1911)



http://pioggiadinote.com/2013/12/02/del-colore-rosso/