Mostrar mensagens com a etiqueta Cidades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cidades. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de março de 2017

Cores


"Lisboa
 
 
 
(...)
 
 
 
Fernando é uma parte do seu quarto, por isso os seus sonhos se agarram às paredes. Ao tocar-lhes sente a consistência, a temperatura e a humidade do que sonhou. Por vezes, quando acorda, sente o cheiro a medo e o calor dos pesadelos. Há dias em que o quarto cheira a Índia, onde Fernando nunca esteve senão em sonhos de longe, com aromas e cores sem nome. Há outros em que os cheiros do passad0 se entranham nos lençóis e os pesadelos são leves, feitos de vozes doces que chamam por ele.
 
(...)
 
 
Viver num sítio é ser esse sítio, emprestar-lhe uma alma e receber outra em troca. As biografias deviam ordenar-se por lugares, e não por datas. Nesta rua fui assim, numa outra fui diverso. Ninguém sabe descrever uma cidade, são as cidades que nos escrevem a nós."
 
(...)
 
 
 
 
Nuno Camarneiro
 
NO MEU PEITO NÃO CABEM PÁSSAROS, D. Quixote, Lisboa, 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Eugene Atget



Eugène Atget

At Quai du Pont Neuf, Paris

 (1908)

© BnF, Département des Estampes et de la photographie





http://www.photography-now.com/exhibition/52535

quinta-feira, 24 de março de 2016

Preto e Branco - XLIV



Christer Strömholm
Marinheiro com Leite
(1959)

http://www.marvelligallery.com/StromholmCatalogue30.html





(...) "O Fotografiska não é um museu vulgar", avisa a página da casa que acolhe a fotografia com vénia e veludo em Estocolmo. Não é vulgar, nem expectável. Com quem quer que se fale sobre a capital sueca, há um momento em que a conversa é tomada pelo silêncio. Logo se inspira e vem o suspiro: "Ah! O Fotografiska!" Entrar neste lugar de olhos postos no lago é um mergulho no silêncio de dezenas de imagens falantes. Param por aqui grandes nomes da película internacional e da magia sueca, como Christer Strömholm, o artista que não percebia nada de câmaras mas que desenhava com elas as sombras densas do mundo e dos homens. (Quarto apontamento: "No Inverno, Estocolmo é a preto e branco.")
(...)



Rute Barbedo
Público, 19/03/2016




sábado, 10 de outubro de 2015

Branco - MLXXI


(…) Mas é também agora que se propõe como tema destes Jardins de 2015 a Luz da Cidade. (…)
Sempre a cidade…
Nunca esquecendo que, simbólica e cientificamente, a clara cor da luz – o branco – é resultado luminoso da junção de todas as outras cores: diversas, diferentes, mestiças, plurais.
É habitual terminarem estes editoriais com uma citação poética a propósito.
Mas isso não se fará este ano. Desta vez, propomos encontrar a poesia na própria luz da cidade, na transparência do seu quotidiano. Sempre a jardinar o prazer dos encontros, o gozo das práticas artísticas, o livre debate das ideias.
Afinal… o exercício da cidadania.




João Luís Oliva
Catálogo, Jardins Efémeros
Viseu, 2015


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Branco - MLXVI


Miru Kim
in Naked City Spleen


https://www.pinterest.com/pin/21955116903724458/

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Verde - XLV


Escola Básica João Afonso de Aveiro
Palavras, Riscos e Pinceladas- Experiência Pedagógica a partir do Geoparque de Arouca
(2014)


http://associacaodepaisapejaa.blogspot.pt/2014/11/convite.html

http://www.apecv.pt/?q=node/6

domingo, 28 de dezembro de 2014

Mulheres - XI



Vivian Maier
New York
(1954)


http://www.vivianmaier.com/gallery/street-5/

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cores



A rota bordaliana é um projeto da autarquia, que vai colocar peças de grandes dimensões de Bordalo Pinheiro em diversas fachadas e espaços públicos. A nova rotunda junto à estação de comboios é o primeiro ponto da rota, que está a ser ultimada, e ao longo da qual irão ser colocadas cerca de 20 figuras cerâmicas gigantes de Rafael Bordalo Pinheiro. 

http://jornaldascaldas.com




 Grandes… muito grandes! É imediatamente a palavra que ocorre quando se olha para as figuras de cerâmica que irão integrar a Rota Bordaliana.


http://www.tintafresca.net/News



Figuras construídas “à escala humana, de 1,80 metros de comprimento”, como o conhecido Zé Povinho, a Saloia, o Padre Cura ou os gatos” vão estar, em 2015, espalhadas por diversas ruas da cidade, disse o presidente da Câmara durante a inauguração da rotunda. 


http://oesteglobal.com






sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vermelho - LXXII



Lisboa 
Semáforos dançantes
(2014)

domingo, 20 de outubro de 2013

Amarelo - XLVI



Pedro Moutinho
Um Copo de Sol
(2009)


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Azul - MXV

O despertar nesta cidade é diferente daquele a que estamos habituados. É que o dia nasce em silêncio, num silêncio apenas perturbado por alguma exclamação solta, uma gelosia metálica a ser corrida, o bater de asas dos pombos. Quantas vezes, pensei eu,  não estive assim deitado num  quarto de hotel, em Viena, Frankfurt ou Bruxelas, a escutar, de sentidos alerta, as mãos sob a cabeça, não o silêncio, como aqui, mas a irrupção do tráfego que antes já me tinha massacrado durante horas. Então é isto, penso eu nessas ocasiões, o novo oceano. Incessantemente, as grandes vagas que cobrem toda a amplitude das cidades, cada vez mais ruidosas, cada vez mais altas, quebram-se numa espécie de frenesim no auge do seu estrépito e correm pelo asfalto e pelas pedras enquanto novos vagalhões se preparam para desabar na barragem do sinal vermelho.


W.G. Sebald
(2001)
Vertigens. Impressões, Teorema, 2006

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Amarelo - XXXVI


- Vou contar-te o que sonhei esta noite – diz a Marco.
- No meio de uma terra plana e amarelada, salpicada de meteoritos e massa errantes, via ao longe elevar-se os coruchéus de uma cidade de finos pináculos, feitos de maneira que a Lua no seu caminhar possa poisar ora num ora noutro, ou balançar-se pendurada nos cabos das gruas.
    E Pólo: - A cidade com que sonhaste é Lalage. Os seus habitantes fizeram estes convites ao repouso no céu nocturno para que a Lua conceda a todas as coisas na cidade o dom de crescer e tornar a crescer sem fim.
   - Há uma coisa que tu não sabes – acrescentou o Kan. – A Lua reconhecida deu à cidade de Lalage um privilégio mais raro: o de crescer em leveza.


Italo Calvino
As Cidades Invisíveis, Ed. Teorema, 2000

terça-feira, 19 de junho de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Arco-Íris

É o humor de quem a olha que dá à cidade de Zemrude a sua forma. Se passarmos por ela a assobiar, de nariz no ar atrás do assobio, conhecê-la-emos de baixo para cima: sacadas, tendas a ondular, repuxos. Se caminharmos através dela de queixo contra o peito, com as unhas espetadas nas palmas das mãos, os nossos olhares prender-se-ão ao chão, aos regos de água, aos esgotos, às tripas de peixe, ao papel velho. Não se pode dizer que um aspecto da cidade seja mais verdadeiro que o outro, mas da Zemrude de cima ouve-se falar sobretudo a quem se lembra dela afundando-se na Zemrude de baixo, percorrendo todos os dias os mesmos caminhos e reencontrando de manhã o mau humor da véspera incrustrado nas paredes. Para todos mais tarde ou mais cedo chega o dia em que baixaremos os olhos ao longo dos canos dos algerozes e já não conseguiremos afastá-los da calçada. Não está excluído o caso inverso, mas é mais raro: por isso continuamos a andar pelas ruas de Zemrude com os olhos que agora já escavam por baixo das caves, dos alicerces, dos poços.

Italo Calvino
As Cidades Invisíveis (1990)
(trad. José Colaço Barreiros)




Path - Toronto