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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Branco - MLX



O FASCISMO DOS BONS HOMENS

Trigo Limpo – Teatro ACERT 
(12/11/2014)


Eis que chega a Coimbra a adaptação que o Trigo Limpo – Teatro ACERT construiu a partir do romance “A máquina de fazer espanhóis”, a aclamada e premiada obra de Valter Hugo Mãe (...)

Conduzidos pelo Lar “A Feliz Idade”, chegamos a um universo onde, como no mundo do “faz-de-conta”, idades e comportamentos se confundem (“de velho se torna a menino”, diz o povo), mas cujas personagens não abdicam de refletir sobre as suas lembranças. Como diz uma das personagens, Cristiano Silva, “Quem fomos há-de sempre estar contido em quem somos, por mais que mudemos ou aprendamos coisas novas”.


http://oteatrao.blogspot.pt/

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Cores


Eu gosto da presença fantasmática das pessoas. Gosto que os objectos signifiquem profundamente alguém. Os melhores objectos são esses, os que quase presentificam quem os fez ou quem os possuiu.
O lençol da mãe da mãe da minha mãe é um bocado de pessoa que não pôde morrer. Ficou perdurando para me conhecer. Para me cumprimentar e viver comigo, espero que para sempre. Quero transformá-lo numa toalha. Arranjar-lhe uma renda amarela, umas flores amarelas bordadas com flores azuis, e voltar a estender na mesa como se tivesse mudado de sexo ou qualquer coisa tão mudadora assim. Um linho que vive de outro modo. Um linho que era alguém e que passa a ser mais alguém. Um linho que soma. Que me soma.


Valter Hugo Mãe
JL- Jornal de Letras, Artes e Ideias, nº 1141
(25/6/2014)