Campos de arroz - Ilha de Bali
"Cresce atrás das coisas como incêndio de verdade". (Rilke - trad. MariaT.Furtado)
domingo, 30 de janeiro de 2011
Branco-IX
"As sequências de números verdadeiramente aleatórios, não correlacionados e com média zero recebem o nome de “ruído branco”. É uma designação curiosa. Provém da engenharia electrotécnica, pois o espectro desse “ruído” tem componentes de todas as frequências em igual distribuição, tal como a luz branca tem todas as cores.
(…) A investigação tem-se dirigido para criar ruído verdadeiramente branco, rápido de produzir e com circuitos muito elementares, de forma que possam ser incorporados em telemóveis e outros aparelhos.
(…) Passa-se do calhamaço ao computador e deste a um circuito microscópio. É ruído branco feito a partir de ruído branco. Nada podia ser mais branco”.
Nuno Crato
Passeio Aleatório
(Expresso, 30/10/10)
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Atrás dos Tempos
Atrás dos tempos vêm tempos
Eu pego na minha viola
e canto assim esta vida a correr.
Eu sei que é pouco e não consola,
nem cozido à portuguesa há sequer.
Quem canta sempre se levanta,
calados é que podemos cair.
Com vinho molha-se a garganta
se a lua nova está para subir.
Que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir.
Eu sei de histórias verdadeiras,
umas belas e outras tristes de assombrar,
do marinheiro morto em terra
em luta por melhor vida no mar,
da velha criada despedida
que enlouqueceu e se pôs a cantar,
e do trapeiro da avenida
mal dormido se pôs a ouvir.
Que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir.
Sei de vitórias e derrotas
nesta luta que vamos vencer.
Se quem trabalha não se esgota
tem seu salário sempre a descer.
Olha a polícia, olha o talher,
olha o preço da vida a subir.
Mas quem mal faz por mal espere,
o tirano fez janela para fugir.
Que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir.
Mas esse tempo que há-de vir
não se espera como a noite espera o dia,
nasce da força que transpira
de braços e pernas em harmonia.
Já basta tanta desgraça
que a gente tem no peito a cair.
Não é do povo nem da raça
mas do modo como vês o porvir.
Que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir.
Fausto
Madrugada dos Trapeiros
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Cartas a Lucílio
"Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente".
Lúcio Aneu Séneca (Córdova 4 a.c. - Roma 65 d.c.)
Cartas a Lucílio - Livro I, Carta 1
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Steve Lehman
Olha!...
castanhas a voarem
em aeronaves
de seda...
e os ares não se importam!...
Anda!...
Vamos voar também!
A. Oliveira
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Dors Ma Mie...
"As Marquesas são um fim de mundo como poucos, e Brel escolheu morrer ali. Ou melhor, regressar ali depois de morto.
Aterrei em Hiva Oa sem ter ideias muito claras sobre a minha motivação para estar lá. Gosto de Brel, e gosto de fins do mundo, talvez as duas coisas juntas tenham servido para a decisão impulsiva de apanhar uma avioneta no Tahiti e passar uns dias em Hiva Oa.
O pequeno cemitério onde jazem os restos mortais de Brel encontra-se numa colina em anfiteatro sobre o mar."
Gonçalo Cadilhe
(1 Km de Cada Vez)
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