Sonho com a primeira cereja do Verão. Dou-lha, e ela leva-a à boca, olha-me com olhos cálidos, de pecado, enquanto faz sua a carne. De repente, beija-me e devolve-ma com a língua. E lá vou eu tocado para sempre, com o caroço da cerveja todo o dia a rolar no teclado dos dentes como uma nota musical silvestre.
À noite: "Tenho uma coisa para ti, amor."
Poiso na boca dela o caroço da primeira cereja.
Mas, na realidade, ela não quer ver-me nem falar-me.
Manuel Rivas
(1995)
Que me Queres, Amor?, Dom Quixote, 1998
(trad.: Pedro Tamen)
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