domingo, 10 de janeiro de 2016

Amor - LX



E Depois do Adeus
José Calvário e José Niza
(1974)


Marisa Liz
Alfredo Costa
Sérgio Sousa
(2016)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cores


OS INQUIRIDORES




Está o mundo coberto de piolhos:
Não há palmo de terra onde não suguem,
Não há segredo de alma que não espreitem
Nem sonho que não mordam e pervertam.

Nos seus lombos peludos se divertem
Todas as cores que, neles, são ameaças:
Há-os castanhos, verdes, amarelos,
Há-os negros, vermelhos e cinzentos.

E todos se encarniçam, comem todos,
Concertados, vorazes, no seu tento
De deixar, como restos de banquete,
No deserto da terra ossos esburgados.




José Saramago
(1966)
Poemas Possíveis, Porto Ed., 2014

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Amor - LIX



Marisa Liz e Amor Electro
A Máquina (Acordou)
(2011)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Branco - CLXXIV



30




O coração disse-me: "Quero saber, quero conhecer! Instrui-me, Khayyam
tu que tanto trabalhaste."
Pronunciei a primeira letra do alfabeto e o coração disse-me:
"Agora sei. Um é o primeiro algarismo do número que não acaba."




Omar Khayyam (c.1048-1123)
Rubaiyat, odes ao vinho, Ed. Estampa, 1999

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cores



126



O vinho possui a cor das rosas.
O vinho não é, talvez, o sangue da vinha, mas, sim, o das rosas.
Esta taça não é, talvez, de cristal, mas de azul do céu coagulado.
A noite não é, talvez, senão a pálpebra do dia.




Omar Khayyam (c.1048-1123)
Rubaiyat, odes ao vinho, Ed. Estampa, 1999


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Amor - LVIII

IV.


A graça feminina
Ainda mantém o mundo.
E secamente o digo, Poetas,
Se não cantais o amor.


Se não cantais em louvor

Da graça duma ternura,
Que é a vida? Ai, amor,
A vida é uma amargura.




Natal, 1956



Afonso Duarte

Lápides e outros poemas (1956-1957), Iniciativas Editoriais, 1960

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

1955


Come Rain or Come Shine
Harold Arlen-Johnny Mercer
(1946)

Billie Holiday & Her Orchestra
(1955)

Branco - CLXXIII



É meia-noite, em fundo toca Bela Lugosi’s Dead, do grupo Nouvelle Vague, e nem sequer a música me impede de pensar nessa realidade «bárbara, brutal, muda, sem significado, das coisas» de que falava Ortega. Olho pela janela e vejo a vida inerte, e parece-me que esse tipo de realidade bárbara e muda é especialmente percebida hoje por quem - como já Musil pensava - acha que no mundo não existe já a simplicidade inerente à ordem narrativa, essa ordem simples que consiste em poder dizer às vezes: «Depois de aquilo ter acontecido aconteceu isto, e depois aconteceu outra coisa, etecetera». Tranquiliza-nos a simples sequência, a ilusória sucessão de factos. No entanto, há uma grande divergência entre uma confortável narração e a realidade brutal do mundo. (...)


Enrique Vila-Matas
Chet Baker pensa na sua arte, Teodolito, 2013

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Amor - LVII


The Smiths
How soon is now?
(1984)

Amor - LVI


YES
GOING FOR THE ONE
(1977)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Preto e Branco - XLIII



Carlos Calvet


http://venerandomatos.blogspot.pt/2014/04/carlos-calvet-pintor-arquitecto.html







Carlos Calvet
A Mulher de Branco




http://www.museuartecontemporanea.pt/pt/artistas/ver/34/artists




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Verde - XLVII



Caribaci




Na certeza da manhã
procura as aves.

Os campos de arroz
verdejantes
retintam 
de novo
 o olhar.




A.Oliveira
Lugares de Rio



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Azul - CLXXVI


  • Title Azore islands
  • Released 09/10/2015 10:00 am
  • Copyright Copernicus Sentinel data (2015)/ESA
  • Description
    This Sentinel-1A radar image was processed to depict water in blue and land in earthen colours. It features some of the Azore islands about 1600 km west of Lisbon, including the turtle-shaped Faial, the dagger-like Sao Jorge and Pico Island, with Mount Pico reaching over 2351 m in height.
    The image highlights the differences in the relief of the islands, with volcanoes and mountains clearly standing out.
  • (...)

Sentinel-1A has been in orbit since April 2014, monitoring the marine environment and mapping water and soil surfaces, among other major applications.





http://www.esa.int/spaceinvideos/Videos/2015/10/Earth_from_Space_Portuguese_wonders

domingo, 1 de novembro de 2015

Azul - CLXXV


Ema passou a conhecer melhor o pontão, a esquivar-se dos seus estalidos, a saber onde vergavam as madeiras; eram só uns segundos de perigo, depois encontrava-se, como num ventre macio, dentro do barco, cujas almofadas azuis a rodeavam. E Ema deixava-se levar no fio da água, vendo a esteira de prata que a seguia fora do peso dos elementos; como se voasse ao encontro dum sentido que fosse o sinal da incarnação feminina. As altas falésias, de pedra granítica e tumular, levantavam-se nas margens. Não se podia chamar margens àquilo. Eram detalhes dum vulcão; eram, nas pedras, rasgões de garras que ali tivessem escorregado. Quem? O silêncio impenetrável subia até aos sarçais onde restos de oliveiras, que não morriam nunca, pareciam ossadas desenterradas.



Agustina Bessa-Luís
Vale Abraão, Guimarães Editores, 1991

Branco - CLXXII



Pega Monstro
Branca 
Júlia Reis e Maria Reis
Alfarroba
(2015)