Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.
(...)
Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.
This is no time for
Celebration
this is no time for Shaking Heads
This is no time for Backslapping
this is no time for Marching Bands
This
is no time for Optimism
this is no time for Endless Thought
This is no time for my country Right or Wrong
remember what that brought
There
is no time
there is no time
There is no time
there is no time
This
is no time for Congratulations
this is no time to Turn Your Back
This is no time for Circumlocution
this is no time for Learned Speech
This
is no time to Count Your Blessings
this is no time for Private Gain
This is no time to Put Up or Shut Up
it won't no time to come back this way again
There
is no time
there is no time
There is no time
there is no time
This
is no time to Swallow Anger
this is no time to Ignore Hate
This is no time to be Acting Frivolous
because the time is getting late
This
is no time for Private Vendettas
this is no time to not know who you are
Self knowledge is a dangerous thing
the freedom of who you are
This
is no time to Ignore Warnings
this is no time to Clear the Plate
Let's not be sorry after the fact
and let the past become out fate
There
is no time
there is no time
There is no time
there is no time
This
is no time to turn away and drink
or smoke some vials of crack
This is a time to gather force
and take dead aim and Attack
This
is no time for Celebration
this is no time for Saluting Flags
This is no time for Inner Searchings
the future is at head
This
is no time for Phony Rhetoric
this is no time for Political Speech
This is a time for Action
because the future's Within Reach
This
is the time
this is the time
This is the time
because there is no time
There
is no time
there is no time
There is no time
there is no time
J. S. Bach Cantata do Café - BWV 211 (1732-1734) Coro e Orquestra Barroca de Amesterdão Cravo e Maestro - Ton Koopman Soprano - Anne Grimm Tenor - Lothar Odinius Baixo - Klaus Mertens
(2012)
O projecto Hippio Water Roller começou há mais de 25 anos e, até hoje, já foi utilizado em mais de vinte países. Para os mais de 750 milhões de pessoas na Ásia e África que lutam pelo acesso à água, este mecanismo é uma forma de conseguir um bem essencial, mas também uma ajuda fundamental no dia-a-dia das mulheres, tão pouco valorizadas nestas sociedades.
(...) Quando há violência contra idosos, quase sempre o agressor está na família. Em quase 60% dos casos, estima o projecto “Envelhecimento e Violência”. E acrescenta que 13,5% das vítimas recusa identificar o agressor, um número que, acreditam os autores do estudo, pode esconder mais familiares. (...)
O único estudo feito em Portugal sobre o tema também aponta para valores mais significativos: estima que um em cada dez idosos com mais de 60 anos seja vítima de violência por parte de pessoas conhecidas (12,6%, de acordo com o projecto “Envelhecimento e Violência”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, publicado em 2014).
De acordo com estes dados, mais de 300 mil idosos foram vítimas de violência no espaço de um ano, entre Outubro de 2011 e Outubro de 2012.
Nenhum dia, nem o que lhes está reservado com nome próprio, é mais Dia da Mulher do que o dia em que coincide o Dia da Mãe com o Dia do Trabalhador. E isso acontece sempre que o primeiro domingo de Maio calha no dia 1. (...) Este dia que já foi da minha mãe e que é agora da minha mulher, que é mãe a 100% e profissional a 100%, é como sempre foi o Dia de todas as mães trabalhadoras. Das poucas que conseguem vencer nos dois lados e da larga maioria a quem não são dadas hipóteses de o fazer. Não deixo de me questionar: por onde andava o mundo sem a energia destas mulheres? Sem a sua humildade, a sua inteligência, a sua perseverança?
(...) "O Fotografiska não é um museu vulgar", avisa a página da casa que acolhe a fotografia com vénia e veludo em Estocolmo. Não é vulgar, nem expectável. Com quem quer que se fale sobre a capital sueca, há um momento em que a conversa é tomada pelo silêncio. Logo se inspira e vem o suspiro: "Ah! O Fotografiska!" Entrar neste lugar de olhos postos no lago é um mergulho no silêncio de dezenas de imagens falantes. Param por aqui grandes nomes da película internacional e da magia sueca, como Christer Strömholm, o artista que não percebia nada de câmaras mas que desenhava com elas as sombras densas do mundo e dos homens. (Quarto apontamento: "No Inverno, Estocolmo é a preto e branco.")
DE PASSAREM AVES (II) De como e de quando as aves passaram tão leves aflando, as sombras pousando no ar que cortaram,
falei, mas não sei que melancolia sentida no dia por tarde eu lembrei na tarde que havia.
As aves passaram e delas falei. Do ar que cortaram as sombras ficaram, mas onde, não sei. Jorge de Sena (18/2/1956) Fidelidade, 1958 - Poesia II, Edições 70, Lisboa, 1988
(...) Uma das pinturas expressionistas mais icónicas é "O Grito", de Edvard Munch. O quadro foi mostrado pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, que não por acaso, se intitulava "Estudo para uma série chamada Amor". De facto, só entenderemos o grito em articulação com a necessidade de amor que nos habita até ao fim. No seu diário, Munch descreve a situação que terá desencadeado aquela imagem: "Passeava com dois amigos ao pôr do sol - o céu tornou-se de súbito vermelho-sangue - eu parei, exausto, e debrucei-me sobre a muralha - havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e a cidade - os meus amigos continuaram o passeio, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade - e ouvi o grito infinito atravessar a Natureza. Pintei então este quadro. Pintei as nuvens com sangue verdadeiro. As cores gritavam. (...)
Rubber Ring (1985) (...) 10. Quem serias se não tivesse existido uma banda chamada The Smiths? Provavelmente, um gajo mais infeliz. Seguramente, um gajo diferente. "I don't forget the songs that made me cry and the songs that saved my life", adaptando a Rubber Ring. Os Smiths tocam na banda sonora da minha vida. Pedro Marques Lopes Expresso, 28/11/2015
Do alto da encosta, quando se descobre o panorama do vale, o que mais salta à vista é a chateza absoluta dessa linha de horizonte: um soco puído, um bloco aplainado onde se enterra o enclave fechado e recortado do vale, com as curtas ravinas afluentes, dispostas como as nervuras de uma folha. A ossatura rochosa aflora a cada instante ao longo das encostas em corcovas gastas, encrustadas do branco baço e amortecido do líquen que é uma das cores obcecantes da Bretanha. Uma vegetação áspera e pouco densa ocupa todos os intervalos: rastos de juncos secos, arbustos rasteiros, de um verde mais escuro, de giestas e tojos que se estendem em placas dartrosas, carvalhos raquíticos, pinhais anões que mergulham em torrentes negras para o fundo da ravina. Nos sítios onde o cume das encostas se une ao planalto, mal a ladeira diminui, matas rasteiras de castanheiros agarram-se por toda a parte, enraizados e hirsutos como os pêlos de uma nuca tosquiada; no Inverno, um emaranhado de bétulas despojadas, de ramiscos muito finos, cobre o fundo da ravina de uma penugem cor de rato, tão ténue que se confunde com a subida da bruma.