quarta-feira, 14 de maio de 2014

Azul - MXXX



Caribaci
Azul


Azul - MXXIX



Maldivas
Ithaa Undersea Restaurant



http://www.sayido.com.br/archives/12557

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Branco - MXXXIII


Não me vou alongar por este tema, basta saber que um bom livro deve ter mais do que uma pele, deve ser um prédio de vários andares. O rés do chão não serve à literatura. Está muito bem para a construção civil, é cómodo para quem não gosta de subir escadas, útil para quem não pode subir escadas, mas para a literatura há que haver andares empilhados uns em cima dos outros. Escadas e escadarias, letras abaixo, letras acima.


Afonso Cruz
Os Livros Que Devoraram o Meu Pai - A Estranha e Mágica História de Vivaldo Bonfim, Editorial Caminho
(2010)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Amarelo - XLIX



Zelig
(2010)


"Aí fica o alinhamento:
1 - Sopro da Morte 2 - Supernoiva 3 - Pangpong 4 - Contra o quê? 5 - Despedida 6 - Vodasucks
7 - Mox 8 - Tchamini 9 - Tube Dance 10 - Joyce 11 - Inspector 12 - Zotimox 13 - Cobrinhas"

http://blitz.sapo.pt/primeiro-album-dos-zelig-a-venda-no-fim-do-mes=f61123

http://zeligmusic.com/



Amor - XLI


Amor, a ti me venh'ora queixar
de mia senhor, que te faz enviar
cada u dormio sempre m'espertar
e faz-me de gran coita sofredor.
Pois m'ela non quer veer nen falar,
     que me queres, Amor?


Este queixume te venh'or dizer:
que me non queiras meu sono tolher
pola fremosa do bon parecer
que de matar home sempr'ha sabor.
Pois m'ela nëún ben quiso fazer,
     que me queres, Amor?

Amor, castiga-te desto, por én
que me non tolhas meu sono por quen
me quis matar e me teve en desden
e de mia morte será pecador.
Pois m'ela nunca quiso fazer ben,
     que me queres, Amor?

Amor, castiga-te desto, por tal
que me non tolhas meu sono por qual
me non faz ben e sol me faz gran mal
e mi o fará, desto son julgador.
Poi-lo seu ben cedo coita mi val,
     que me queres, Amor?



Fernando Esquío
(finais séc. XIII)


http://cantigas.fcsh.unl.pt/autor.asp?cdaut=37

http://bvg.udc.es/


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Natália Correia





AUTOGÉNESE



Nascitura estava
sem faca nos dentes
cómoda e impura
de não ter vontade
de bater nas gentes.

Nasce-se em setúbal
nasce-se em pequim
eu sou dos açores
(relativamente
naquilo que tenho
de basalto e flores)
mas não é assim:
a gente só nasce
quando somos nós
que temos as dores;

pragas e castigos
foram-me gerando
por trás dos postigos
e um fórceps de raiva
me arrancou toda
em sangue de mim.

Nascitura estava
sorria e jantava
e um beijo me deste
tu Pedro ou Silvestre
turvo namorado
do verão ou de outono
hibernal afecto
casca azul do sono
sem unhas do feto.

Eu nasci das balas
eu cresci das setas
que em prendas de sala
me foram jogando
os mulheres poetas
eu nasci dos seios
dores que me cresceram
pomos do ciúme
dos que os não morderam;

nasci de me verem 
sempre de soslaio
de eu dizer em junho
e eles em maio
de ser como eles
às vezes por fora
mas nunca por dentro 
perfil de uma estátua
que não sou de frente.

Nascitura estava
e mais que imperfeita
de ser sorte ou dado
que qualquer mão deita.

Eu nasci de haver
os bairros da lata
do dedo que escapa
dos sapatos rotos
da fome que mata
o que quer nascer
e que o sábio guarda
em frascos de abortos

eu nasci de ver
cheirar e ouvir
dum odor a mortos
(judeus enlatados
para caberem mais
mas desinfectados)
pelas chaminés
nazis a sair
de te ver passar
de me despedir
de teus olhos tristes
como se existisses.

Nascitura estava
tom de rosa pulcra
eu me declinava
vésper em latim:
impura de todos
gostarem de mim.


Natália Correia
edoi lelia doura
antologia das vozes comunicantes
da poesia moderna portuguesa
Assírio & Alvim
1985


http://canaldepoesia.blogspot.pt/2011/06/natalia-correia-autogenese.html



Cores

Os sinais  estão aí. Vemo-los sem olhar, esmagados pelas contas e pelos prazos: comer para viver, pagar a prestação da casa, comprar os comprimidos. Sobreviver com cada vez menos, com o essencial, na fronteira mais recuada da dignidade. Por vezes, já abaixo dela, embora procuremos convencer-nos de que assim não é. Concentramo-nos no essencial enquanto nos dizem que quase tudo é supérfluo, e tentamos não ver o cenário que se abre à nossa frente. (...)
Lojas semivazias, fechadas ou em liquidação total. Vitrinas menos brilhantes e menos preenchidas, anunciando produtos de menor qualidade. Os hotéis e os restaurantes com menos clientes, substituídos pelas pensões baratas e pelos cafés de bairro. Come-se pior para se comer mais barato. Desliga-se o aquecimento. Já quase se não vê roupa nova, fardas refulgentes, música a saltar dos carros, filas para concertos, excursões a caminho das praias. Fora do mundo protegido das crianças, há agora menos cor e menos riso, fala-se mais baixo, os corpos movimentam-se mais devagar. Já poucos fazem planos. 


Rui Bebiano
Diário as beiras
(15/03/2014)

Branco - MXXXII



José Marín
Tonos Humanos
(1674)

Marizápalos: 
Cristina Bayón, soprano
Isabel Gómez-Serranillos, cello barroco
Aníbal Soriano, guitarra barroca y dirección


terça-feira, 6 de maio de 2014

Azul - MXXVIII



Fausto
A Embala de Silva Porto
(2011)

domingo, 4 de maio de 2014

Steve Reich



Steve Reich
Electric Counterpoint III
Pat Metheny
(1987)

sábado, 3 de maio de 2014

Ruy Cinatti


A TERCEIRA VOZ


Com palavras incautas celebrei
o perfil da Terra. Eram incautas.
Não do meu domínio
visual. Incautas e 
recuadas
como nas almas 
o diálogo. Assim toquei
o gume da catana,
a casca de árvore, a luz
da tarde, a
face...



Ruy Cinatti
56 Poemas, Relógio D'Água
(1981)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Branco - MXXXI


Paulo de Carvalho
Antes que seja tarde
(1972-74)

(...) Em 1972, ocorreu uma conturbada
participação de José Afonso no VII Festival
Internacional da Canção (FIC), no Rio de Janeiro.
O maior nome da canção portuguesa foi
escolhido para representar Portugal no Festival
por meio de telefonemas a uma rádio, junto com
o cantor português, Paulo de Carvalho. Este
último foi preterido pelo próprio Festival, porém
a canção que ele interpretaria, Antes que seja
tarde, de Pedro Osório e José Niza, segundo o
último, foi vetada pela censura brasileira e
teve de ser escrita por Niza uma outra letra:
Maria, vida fria. (...)


 Alexandre Felipe Fiuza. 
“As metáforas e a censura ao cancioneiro engajado no Brasil, Portugal e Espanha. ”Revista Temas & Matizes - Unioeste - Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - vol. 5 - Nº 10 - 2º Semestre de 2006, p. 53-60


www.unioeste.br/saber


Porque choram os teus olhos? diz...
Porque tens medo do mar?
Porque vives de ilusão,
E é fria a tua mão,
E dizes sempre não?
O que foi que o mar levou de ti?
Com que ondas te enganou?
Que esperança te roubou, a angústia te rasgou?
Maria lua, dançando nua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...
Maria amar, Maria amor, Maria paz...Maria... tanto faz...
Porque choram os teus olhos? diz...
Porque tens medo do mar?
Por um barco que não vem,
Tua cama foi de cem,
Teu corpo, de ninguém.
Em teu rosto de criança estão
Dois cardos de solidão.
Na tua carne de mulher,
As noites de quem quer.
Maria lua, dançando nua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...Maria muita, Maria pouca, Maria louca...
Maria amar, Maria amor...
Maria nua, dançando à lua no chão da rua...
Maria, Maria, vida fria...
Maria muita, Maria pouca, Maria louca...
Maria amor, Maria paz...
Maria...tanto faz...


http://faixa5.blogspot.pt/2008/03/maria-vida-fria.html

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Verde - XXXVIII


Caribaci

Jardim Botânico de Coimbra
(2014)



Cinzento - IV


Bob Dylan
Like a rolling stone
(1965)

O manuscrito da canção de Bob Dylan Like a Rolling Stone vai ser posto à venda no próximo dia 24 de Junho, na Sotheby’s de Nova Iorque. O texto, escrito em quatro páginas, faz parte de um conjunto de seis lotes do compositor e intérprete norte-americano, que inclui também a letra de A hard rain’s gonna fall.(...)
Em 2004, Like a Rolling Stone surgiu no primeiro lugar do top das 500 maiores canções de todos os tempos organizado pela revista Rolling Stone.

http://www.publico.pt/cultura

Once upon a time you dressed so fine
Threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People call say 'beware doll, you're bound to fall'
You thought they were all kidding you
You used to laugh about
Everybody that was hanging out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging your next meal

How does it feel, how does it feel?
To be without a home
Like a complete unknown, like a rolling stone

Ahh you've gone to the finest schools, alright Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
Nobody's ever taught you how to live out on the street
And now you're gonna have to get used to it
You say you never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And say do you want to make a deal?

How does it feel, how does it feel?
To be on your own, with no direction home
A complete unknown, like a rolling stone

Ah you never turned around to see the frowns
On the jugglers and the clowns when they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on a chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discovered that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal 

How does it feel, how does it feel?
To have on your own, with no direction home
Like a complete unknown, like a rolling stone

Ahh princess on a steeple and all the pretty people
They're all drinking, thinking that they've got it made
Exchanging all precious gifts
But you better take your diamond ring, you better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him he calls you, you can't refuse
When you ain't got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you've got no secrets to conceal

How does it feel, ah how does it feel?
To be on your own, with no direction home
Like a complete unknown, like a rolling stone


http://www.lyricsfreak.com/b/bob+dylan/like+a+rolling+stone_20021169.html

Preto e Branco - LXXI



Jardim Botânico de Coimbra
Portão Principal
(1884)



Da autoria de Mestre Galinha, este portão, que dá mote à
sacramental pergunta aos caloiros de Coimbra, na praxe
académica (”Preto é, Galinha o fez em Coimbra?”), feito em ferro
forjado com aplicações de bronze, foi concluído em 1884. Este
é um bom exemplo do estilo neoclássico, conjugado com a arte
de trabalhar o ferro, muito em voga nos finais dos séc. XIX.


http://www.uc.pt/jardimbotanico