sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Preto e Branco - XLII


O POEMA



Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
floresta nocturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.


Mario Quintana 
O Aprendiz de Feiticeiro 
(1950)

Preto e Branco - XLI



Europa



http://www.mapaeuropa.com.br/noite-europa-via-satelite.htm

Cores



Dead Sea Resort - Suining




http://i100.independent.co.uk/article/this-swimming-pool-in-china-looks-like-the-worst-thing-ever--eJpgZP-GMe

1955



Claude Lévi-Strauss
Tristes Tropiques
(1955)



https://en.wikipedia.org/wiki/Tristes_Tropiques

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Azul - MLXXIV

(...)
Wilder: Ao longo do percurso como anilhador, qual é a captura que mais gosta de lembrar?
Paulo Tenreiro: Gosto de lembrar a única vez que anilhei umMonticola solitarius [Melro-azul]. Em 2000, estava na zona da barragem de Santa Luzia – Pampilhosa da Serra, juntamente com o Carlos Carvalho, a fazer trabalho de campo para o Segundo Atlas das Aves Nidificantes em Portugal. Como era habitual, a viatura estava cheia de caixotes com material, além de um fogão e de uma mala térmica com comida. Estacionámos na beira da estrada e começámos a preparar o almoço. “Pelo sim pelo não, ó Carlos, enquanto descascas a cebola, eu monto aqui duas redes nestes matos”, disse eu.
Nada foi capturado até ao final do almoço, até que observei no topo da encosta uma ave, que devido à distância não consegui identificar. Levantou voo e foi deslizando ao longo da encosta, até conseguir perceber a espécie e ver que tinha acabado de cair na rede. Nunca tinha corrido tanto por cima de silvas e tojo, mas também nunca tinha rido tanto a anilhar uma ave até essa data.


http://www.wilder.pt/historias/paulo-tenreiro-anilhou-mais-de-7000-aves-selvagens-num-so-ano/





Melro Azul


http://www.birdsineurope.com/web/taxonomy/term/242


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Amor - LIV



Ornatos Violeta
Ouvi Dizer
(2006)


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Branco - MLXX


POÉTICA



                     1

Que é a Poesia?
                          uma ilha
                          cercada
              de palavras
                          por todos
                          os lados.


                      2

Que é o Poeta?
                         um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
                         Um homem
                   que tem fome
         como qualquer outro
                         homem.





Cassiano Ricardo
(1964)
Antologia da Poesia Brasileira, José Valle de Figueiredo, Ed. Verbo, s/d.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Amor - LIII



Maria Augusta Araújo
Leda e o Cisne
(1993)



sábado, 12 de setembro de 2015

António Charrua




António Charrua
Sem Título
(1972)



(...) O "Grande X" nasce das "Ameaças", do avanço das formas oblíquas a trilhar a tela. Para lá desta forma, surge por diversas vezes a cruz de recorte tradicional ou a cruz grega. Não tem, nas palavras de Charrua, um sentido cristológico, mas um carácter abrangente de falência da humanidade, decesso, dor. E nela a morte e o questionar último do sentido da vida. Nos anos seguintes, a cruz será T, será escada ascensional. (...)



Ana Ruivo
X de Charrua-Antológica
CAM-Centro de Arte Moderna Gulbenkian
2015




http://cam.gulbenkian.pt/CAM

https://pt.wikipedia.org


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cores



Palácio Nacional de Queluz
(2015)



(...) O que está a ser aplicado nas paredes de Queluz obrigou a muita investigação para lá da descoberta da cor. Encontrar o tom certo, a técnica certa. A caiação que está a ser usada pode induzir em erro. O azul parece muito escuro, mas, depois de seco, clareia, explica a conservadora. Aponta para uma das empenas. Aquelas onde foram testadas várias cores. (...)


http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4682708

Cores




POEMA PARA LAURENCE CALEGHARI




Com extrema aplicação,
como quem escreve um poema,
compõe o pintor a sua paleta.

Primeiro os brancos, com que inventa os navios. Logo
os amarelos, imenso campo de trigo.

Com os vermelhos,
hasteia uma bandeira. Enquanto
os azuis cumprem o destino do vento.

Com o verde
preenche a alegria das folhas.
E os castanhos são
a pele húmida dos montes.

Finalmente o preto.
Com ele escreverá
apenas a palavra liberdade.

                                                                                                                   Paris, 1979


Emanuel Félix
A Viagem Possível-Poesia (1965/1992), Vega, s/d

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Azul - CLXXIII



Manuel Ventura
Regata do Atlântico Azul
Lisboa
(2015)


http://biclaranja.blogs.sapo.pt/2015/08/?page=2

https://marinhadotejo.wordpress.com/



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Cores



Poema a uma folha caída
António Eustáquio
(2012)

António Eustáquio (Guitolão)
Carlos Barreto (Contrabaixo)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cores



"Há-de Haver..."
Espectáculo "A Viagem do Elefante"
Luís Pastor (música e voz)
(2014)


"Há-de haver..."

Há-de haver uma cor por descobrir,
Um juntar de palavras escondido,
Há de haver uma chave para abrir
A porta deste muro desmedido.
Há-de haver uma ilha mais ao sul,
Uma corda mais tensa e ressoante,
Outro mar que nade noutro azul,
Outra altura de voz que melhor cante.
Poesia tardia que não chegas
A dizer nem metade do que saber:
Não calas, quando podes, nem renegas
Este corpo de acaso em que não cabes.

José Saramago
Os Poemas Possíveis, Portugália Editora, 1966


Cores


(...) vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objecto secreto e conjectural cujo nome os homens usurparam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.   
     Senti infinita veneração, infinita lástima.
     - Ficarás tonto por bisbilhotar assim onde não és chamado - disse uma voz enfadonha e alegre.  - Mesmo que queimes o juízo, não me pagarás num século esta revelação. Que observatório formidável, hein, Borges!
  Os pés de Carlos Argentino ocupavam o degrau mais alto. Na brusca penumbra, consegui levantar-me e balbuciar:
     - Formidável. Sim, formidável!
 A indiferença da minha voz causou-me estranheza. Ansioso, Carlos Argentino insistia:
     - Viste tudo bem, a cores?



Jorge Luis Borges 
(1957)
O Aleph, Editorial Estampa, 4ª ed., 1993